03 junho 2018

FERIADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÇO!!!

Texto de 11/09/2007.

Ter amigos é maravilhoso!!! Tá certo que vez por outra a gente nota que nem todos os que consideramos amigos fazem jus ao título, mas pelo menos nos deixam um grande e preciosíssimo aprendizado: "escolha melhor da próxima vez".


Dizem que amigos a gente escolhe e família não. Em algumas escolhas eu fui bem e acertei em cheio, mas Deus foi perfeito nas escolhas Dele. Minha família é minha melhor amiga. Tenho uma mãe que o adjetivo mais chinfrim que posso atribuir a ela é "fantástica", meu irmão é uma referência, um ídolo (sabe aquela história do "quando eu crescer, quero ser que nem ele"? Pois é assim que me sinto em relação ao meu irmãozão), agora meus primos são o máximo!!!


Feriado, pra variar, fui pra Uberlândia. Mal chegando já fui devidamente intimada/convidada a ir a um show de rock pesado (depois descobri ser "metal melódico"). (Um adendo: detesto heavy metal e coisas do gênero, e meus primos adoram.) Assim, fui ao tal show... De início, tivemos de resolver quem iria no colo de quem (meus primos mais se parecem com aqueles leões-de-chácara de boate), como sou pequenininha, fui no colo da minha prima. Conseguimos colocar 7 pessoas num Gol. Cheguei toda amassada na boate, mas, tá valendo... fomos para a fila e observamos a fauna local, tinha desde esperados metaleiros aos playboys (juro!!!), entramos (finalmente) na boate e esperamos pacientemente o início do show... Boa parte do público gritava "Eduuuuuuuuuuuuuuuu" (o vocalista), mas meus primos (sempre do contra) gritavam "Aquiles" e eu não gritava nada, porque estava perdida. Lá pelas tantas, eis que "liberam" o Aquiles para seu solo de bateria... O que foi aquilo??? (não é um trocadilho, ok???) O sujeito parecia possuído!!! Tocou horrores!!! A galera (eu junto) veio abaixo!!! Foram 10 minutos de solo (e que solo!!!). Só esse pedacinho valeu o ingresso, o cansaço, tudo!!!


Além do inacreditável solo, o show serviu para me tirar o ranço do "não gosto, não vi e não quero ver". Ah, em tempo, a banda se chama "Almar". Não sei se é mineira, mas o sotaque do vocalista (falando, claro) é bem mineirês...

O meu segredo...

Texto iniciado em 12/10/2007

Todos têm um segredo na vida, todos têm um objetivo na vida e, muitas vezes, esse objetivo é o segredo. Isso se aplica ao meu caso.


Alguns têm por objetivo se livrar de alguma coisa, não encarar determinados fatos, não se colocar à prova. Outros querem ganhar, seja lá o que for, querem sempre ganhar, estão sempre em disputa, estão sempre competindo. Já outros decidiram decretar a morte em vida, deixando de ter objetivos e se contentando com o que a vida lhes dá.O meu objetivo é um tanto quanto diferente, resolvi fazer a diferença na vida de muitas pessoas, seja lá com o que eu tiver para dividir.


A minha família, em geral, não pôde se dar ao luxo de não encarar os fatos, pois a vida sempre os deixou bem claros, bem visíveis. Somos seres estranhos, nos comunicamos mais com olhares, gestos, pouco usamos a fala. Sempre sabemos quando o outro precisa de algo, nem que seja ficar sozinho para decidir o melhor rumo, o melhor caminho, mas ficamos sempre à espreita um do outro, para que que saibam que estaremos ali sempre, pro que der e vier. E isso, por mais incrível que possa parecer, une a todos por laços muito mais fortes que as palavras. Somos todos irmãos, filhos, pais, netos uns dos outros. Há tempos tenho minha mãe, minha mãe-tia, meu pai-tio, meus irmãos-primos, e meu filho tem suas avós, seus avôs, seus primos, seus tios. Tudo muito mesclado, pouco divisível.


Já notei que muitas vezes não queremos (nós, os de minha família) dividir os problemas uns com os outros, e acabamos por remoê-los sós, só para não dar ao outro qualquer traço de preocupação. (Se bem que, justiça seja feita, estamos descobrindo nos últimos tempos como é bom o desabafo, como é bom podermos contar nossos problemas aos nossos sem ver, em seus olhos, o julgamento, a condenação. E isso só está fortalecendo cada vez mais os nossos laços.).


Cultuamos nossos antepassados ao relembrarmos histórias, matamos nossas saudades com o orgulho de vermos que pessoas tão especiais pertenceram à nossa família, agradecemos o privilégio de termos tido por avós, primos, tios, pessoas valorosas, fortes, corajosas e, a despeito de todo e qualquer sofrimento que sabemos que passaram, não se sentiram no direito de perpetuar a amargura que, muitas vezes, poderia ter-lhes tentado corroer a alma. Daí venho eu, dessa família... e como me orgulho disso!!!


Claro que não somos perfeitos, cometemos nossos erros, mas não nos enterramos neles. Sofremos, óbvio, mas aprendemos.


É dessa miscelânea que descendo.


É extremamente importante saber de onde viemos para sabermos para onde vamos.


E meu segredo é bem simples, veio dessa família: fazer parte da vida de outras pessoas não ao ponto de se tornar inesquecível, mas ao ponto de se tornar uma companhia agradável e confiável.


Tento, por mais ruim que seja a fase (e já passei por muitas fases péssimas), sorrir por quem quer que passe, pois muitas vezes, o fato de desconhecidos sorrirem pra mim transformou um dia ruim num raio de esperança de um amanhã melhor. Sempre ouço, pacientemente, o que as pessoas me dizem, ao ponto de me tornar confidente de gente que nunca vi ou verei novamente nesta vida. Um exemplo dessa última passagem: meu namorado e meu cunhado foram cortar o cabelo. Como ambos tinham o mesmo barbeiro, passei uma hora sentada esperando. Mudei de lugar e me sentei ao lado de um senhor que, do nada, contou-me toda a sua vida.

E terminado em 03/06/2018...

E assim continua... sempre há alguém que queira dividir algo. Um sorriso, uma história, uma tristeza. Tudo permeado pelos sentimentos mais genuínos, mostrando que a vida sempre se renova, mas algumas lembranças permanecem.


O lado oculto da saudade

A saudade é uma palavra genuinamente brasileira. Não existe tradução perfeita em qualquer outra língua. Pra falar a verdade, sou da opinião que "saudade" é uma tentativa de traduzir o indizível.
Hoje minhas perdas me (re)encontraram. Há muito, soterrei meus mortos num monte de ocupações, numa vida reconstruída (mais de uma vez), numa outra Andrea, uma que há bastante tempo não me visitava.
Há muito não chorava, há muito não sentia falta, há muito não sentia a presença. Fato é que deliberadamente resolvi fugir disso tudo, determinei que teria de seguir em frente e deixar tudo para trás... o amor, as lembranças, a dor... tudo, enfim, que pudesse me "devolver" o fardo da perda.
A saudade engloba tudo isso, tudo o que a gente ingenuamente acha que deixou para trás. Nada mudou, mas não está tudo do mesmo jeito. Tudo está mudado, mesmo estando igual. Como diz a música "mudaram as estações, nada mudou. Mas eu sei que alguma coisa aconteceu, está tudo assim tão diferente".
Sempre convivi com a perda. Ela parece ser algo recorrente na minha vida desde a infância. Sim, há muitos ganhos, mas minhas perdas são insubstituíveis. Todas elas carregaram um pedaço meu. Sinceramente, não sei como cheguei até aqui, como resisti, como sobrevivi. Não só isso, também não tenho a menor ideia de como não deixei a amargura e a ranhetice me alcançarem. Deve ser a fé... só pode ser. É a única explicação que eu tenho.
Mas hoje, meus mortos voltaram... Ouvindo "Tears in Heaven". Engraçado, também sempre fugi dessa música. Quando ela foi lançada, eu a ouvi pouquíssimas vezes. Eu sempre mudava de estação todas as vezes que ela tocava. Depois, soube que Eric Clapton a fez para o filho que ele perdeu tragicamente... mais um motivo para não ouvir, a música fala de perda... e de perdas, eu já estava bem cheia.
Sábado passado sonhei (ou recebi a visita) de um amigo muito querido, de quem não tive a chance da despedida. Sempre generoso, ele veio me dizer que estava bem. Sou muito agradecida pela visita, mas ela puxou o fio daquele saco tão bem costurado para nunca ser aberto, um em que eu guardava enterradas todas as minhas saudades. Hoje, "Tears in Heaven" terminou o serviço.
Houve um tempo em que achei que Deus não me queria com ele... nem o diabo. Dona Morte, em diversas ocasiões, levou aos que eu amo e me deixou aqui.
Não sei bem por que, mas, só de pirraça, resolvi fazer minha existência ser singular. Entretanto, devo confessar que Eric Clapton foi muito feliz na sua composição. Se de uma coisa eu sei bem é quando ele diz "Time can bring you down, time can bend your knees. Time can break your heart, have ou begging please, begging please". O tempo pode curar muita coisa, mas há feridas que não nasceram para serem curadas. A perda é uma delas.
A música segue e nos conta que a perda doída envolve amor. Só dói uma perda quando muito se amou. Ah, e isso eu tenho muito, muito orgulho em confessar, amei e amo demais cada um dos que perdi. Foi exatamente esse amor que me permitiu me reconstruir, que me trouxe a fé, que deu forças para refazer várias e várias vezes o meu caminho.
Eric Clapton escreve músicas para lidar com seus entremeios, eu escrevo textos longos e, muitas vezes, sem sentido.
O amor permanece sempre, o amor fica, o amor nos acompanha por todos os lugares, talvez por isso as pessoas sejam inesquecíveis, insubstituíveis. O amor nos dá força para seguir, porque dói muito seguir, a passagem do tempo é cruel... mas seguimos adiante, na esperança de termos uma vida digna de ser contada aos nossos eternos amores quando nos encontrarmos. Acho que aí é que entra o pedacinho da música "Beyond the door there's peace I'm sure. And I know there'll be no more tears in heaven".
Por mais doloroso que seja, por mais saudosa que eu esteja, eu jamais me arrependi de ter cada um dos meus entes amados em minha vida. E quantas vidas eu tiver, quero-os de volta em todas elas, mesmo que eu tenha de me despedir de cada um deles cedo demais.

28 março 2018

Amor... distante amor.

Texto de uma história que aparentemente vem de muito tempo...

Ela o ama e ele nem sabe.
Jamais desconfiaria que por trás daqueles jeans surrados há o amor. Só o olhar já a faz tremer.
Ela jamais falará.
Há o compromisso. Há a responsabilidade. Há outras vidas. Não há lugar para eles (ela bem o sabe). Talvez por isso guarde para si, somente para si, tão grande amor. Ele jamais acontecerá. Nascera fadado ao túmulo.
E assim passam os dias, a vida... mas ele não morre. Amor que não morre é preocupante. Lembrete da Caixa de Pandora. Maldita, esperança. Por que não morre???
Estranho, a esperança não é a de que o amor sobreviva... mas de que ele morra e restaure a paz que antes experimentara.
Então, deixa-se não mão de Deus, do destino... desde que escape das suas mãos e não volte. Mas sempre volta. Como pode achar o caminho???
Resigne-se, oh mulher. O amor lhe brota no coração. Será mesmo amor? Não se apoquente, apenas viva, dia após dia, pedindo a Deus, ao Universo, a restauração da paz e da certeza de antes.
Ele não estará presente. Ele não tem os mesmos sonhos que você. Ele jamais se revelará... e antes de isso ser grande atribulação, é prenúncio do sossego que você tanto deseja.
É a primeira vez que ela ama, mas deseja mais a paz que o amor... talvez por ansiar a paz que não mais lhe pertence... talvez por afastar de si o amor que não floresce.
A ideia de florescer algo que, se semente, já é tão forte que precisa ser contido, assusta. No que poderia se transformar se fosse regado??? Nunca sentira algo semelhante... melhor a contenção.
Ah, a paz.. melhor a paz... a confortável paz. Para tê-la, vale tudo. Até destinar ao cemitério aquilo que nunca morre. Se não morre, que, pelo menos, não floresça....
Shhhhhhhhhhhhhhhhhh... não diga nada. Não dizer, não confessar... não acorde aquilo com o que não se pode lidar.
Sempre ponha em dúvida: será que é amor? Pode ser ilusão?
Acima de tudo, a certeza: ele não corresponde.
E tudo volta a ser paz... ou semi-paz... de qualquer forma, paz.
Que assim seja.


Aparências... o efeito do brilho dos espíritos em aparências peculiares.


Não, ela não é bonita. É muito magra, com faces encovadas e olheiras imensas. Os cabelos já não são tão sedosos e as neves começam a se instalar entre um e outro fio de ébano. A bem da verdade, há mais neve que ébano. Os efeitos da gravidade se fazem visíveis...
Ela nunca foi bela. Na juventude, a magreza já era visível, as faces encovadas eram menos enrugadas. Os cabelos eram o que havia de melhor, negros, muito negros e extremamente sedosos.
Um tanto obtusa. Embora tivesse vocabulário elástico, não sabia combinar as palavras. Concordância, regência. Nada disso. Apenas vocabulário suficiente para escapar às gírias.
Dentição proeminente. Os lábios não eram suficientes para esconder o sorriso permanente. Involuntário e permanente. Sabia-se de seu desagrado pela ruga que se formava no meio da testa. Ruga traída pelo sorriso. Não a levavam a sério.
Era mulher de gênio difícil. Um tanto mimada, mas com a medida certa de realidade. Fosse bonita seria perfeita. Apresentaria aquele quê de sedução, de candura vinda do olhar, aliada ao acre da personalidade controversa. O olhar causava espanto. Muita olheira para pouco olhar. Os olhos, muito negros, disputavam com a escuridão das olheiras. No meio dessa amálgama, vinham-lhe os cabelos acobertando (ou tentando) o olhar esquisito. Era estranha, muito estranha. Um enigma.
Provocava paixões. Como??? Não eram as posses. Não era a aparência.
Extremamente generosa, fazia as pessoas se sentirem à vontade, como se fossem velhas conhecidas, amigas de infância. Qualquer interesse ou maledicência  ou interesse escuso se desvanecia naquela luz. Encantava a todos os que se detinham mais de 5 minutos em sua presença. A aparência um tanto estranha se tornava simpática, curiosa até. Pensando melhor, não era tão feia nem tão estranha.
Cada palavra dada entre aquele sorriso que insistia em permanecer... era tão peculiar. As rugas que se formavam na testa e, hoje, são tão permanentes quanto o sorriso . Não se sabe mais quando está zangada. Mas como alguém tão encantadora se zanga? Não, não há contrariedade. A bondade sempre presente. Aquela sensação de aconchego, como a evocar um lugar gostoso de um passado distante em que você se sentia pleno, invulnerável , feliz. Sim, ela trazia essa sensação. Talvez por isso fosse tão especial. Despertava na alma do outro o descanso necessário, quase entorpecente... a impressão de que se é verdadeiramente importante, preciso, amado.
O poder de tocar o inconsciente, o espírito. Trazer para perto de si, mesmo com todos os defeitos, a certeza de que aquele mundo distante, pretérito, mas perfeito, mais que perfeito, pudesse ser perene. A eternidade de um instante, presente naquela mulher exótica. O mistério se esclarecendo naquelas olheiras escuras, ladeadas pelo negro dos olhos e o balançar dos cabelos de ébano. Mistérios esclarecidos pelo brilho de íris tão escuras.
A certeza de que a alma de alguém tão distinta, única, ultrapassa a ilusão proposta pela aparência, para apresentar a verdade de um espírito capaz de conquistar o mundo, mas extremamente satisfeita com sua casa, mobília, marido, filhas, amigos e aparência. A satisfação de se saber estranha e, ao mesmo tempo, tão única. Um mistério tão claro quanto a neve que agora se amalgamava ao ébano.


08 fevereiro 2018

Receita para saber se você é uma boa pessoa.

Ingredientes:
- Você
- Seu interior
- Uma boa memória para guardar as sensações
- Quem te cerca
- Quem te admira
- Um telefone ou um e-mail para enfeitar
Modo de fazer:
Pegue você mesmo e se olhe. Não é ir para o espelho, é se voltar para dentro de você. Quando estiver aí dentro, olhe-se com sinceridade. Veja seus defeitos, perceba sua sombra, aproxime-se dela. Volte-se para a luz (se você tiver uma, claro), aconchegue-se nela, sinta o calor. Analise o que sente. Reserve todas as sensações na memória.
Depois, observe todas as pessoas que te cercaram e as que te cercam. Verifique a qualidade daquelas que permaneceram e das que deixaram saudade. Reserve na memória, ao lado das sensações.
Note as pessoas que te cercam, separe as que sinceramente gostam de você, as que lhe admiram. Não analise nem contabilize as que te amam, estas, às vezes, não percebem o seu caráter ou, quando percebem que ele é ruim, não cessam de ajudá-lo a melhorar.
Tire as sensações sobre sua sombra e sua luz (quando há) da memória e misture-as levemente com a qualidade das pessoas que ficaram e das que tiveram de partir. Mexa até o obter uma massa homogênea e perfumada, com brilho gostoso se saudade que aqueça seu coração. Se não conseguir passar para o próximo passo, reveja-se urgentemente.
Pegue essa massa e vá adicionando aos poucos as pessoas que, genuinamente, gostam de você. Antes de colocá-las na mistura, observe se elas também são admiráveis, cultivam valores, têm ética. Perceba a energia delas, descarte aquelas que tem a vibração pesada. Se sobrar menos de 10%, recicle-se, sob pena de virar adubo.
Depois que sua massa estiver brilhando, cheirosa, com salpicos de felicidade de se ver nos olhos puros de seus amigos, Rejubile-se, você é uma boa pessoa.
Telefone ou mande e-mail para algum desses amigos incorporados à mistura. Se a alegria deles for indisfarcável, aproveite!!!
Na véspera dos meus 42 anos, estou imensamente feliz e posso dizer, com todas as letras, que sou uma boa pessoa. Meu maior e melhor termômetro são os que me cercam. Tenho amigos incríveis, de qualidades estupendas. Os falsos ou de caráter duvidoso, não permaneceram (só isso, já diz muito). Não sou delicada nem "mocinha", mas nem isso afastou as pessoas que são um presente na minha vida.
E para coroar isso tudo, ainda tive a graça de ter Nossa Senhora Aparecida me abençoando e Deus respondendo às minhas perguntas e acalentando meu espírito (Obrigada, Papai!!!)
Apesar de ter quase certeza de que sou uma boa pessoa, confesso que gosto imensamente da dúvida. É ela quem me faz querer melhorar dia a dia como ser humano, adubando a terra para o plantio e irrigando a alma. A dúvida me fortalece.

06 fevereiro 2018

Em se plantando tudo dá... e como dá!!!

Hoje é dia de textão.
Há algum tempo, vi um vídeo sobre um maratonista espanhol que, em vez de se aproveitar de um engano de seu adversário, mostra a ele o erro, permite que o outro competidor vença e fica em segundo lugar.
Lembro-me do Sérgio Cortella replicando o que o maratonista disse sobre o episódio: "Se eu ganhasse desse modo, qual seria o mérito da minha vitória? O que é que eu ia pensar de mim mesmo?"... e o principal: "O que é que eu ia falar pra minha mãe?"
(eis o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=_bRvG6Ohjuw)
Há pessoas acostumadas a mentir, a trapacear, a falsear os acontecimentos para terem "vitória". Não satisfeitas em mentirem sozinhas, arranjam quem as ajude nas mentiras.
As pessoas mentem e prejudicam as outras numa ilusão de benefício. Pode ser benefício financeiro, de "ficar bem na fita", pra "posar de vítima". Enganam as pessoas e se esquecem de que não há como se enganar a vida.
Há séculos, Newton já nos advertia "toda ação corresponde a uma reação de mesma direção e intensidade, e de sentidos contrários". Antes de Sir. Isaac Newton, Cristo no falava "O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo; o qual grão é, na verdade, a menor de todas as sementes, mas depois de crescido, é a maior das hortaliças e faz-se árvore, de tal modo que as aves do céu vêm pousar nos seus ramos."
O que isso quer dizer? TUDO o que fazemos volta para nós. TUDO tem retorno.
E como isso funciona? Como o grão de mostarda. Ao se plantar essa semente, o grão em si é minúsculo; na hora da colheita, a árvore que germinou daquela sementinha é imensa! Por isso, quando praticamos o bem, por mais ínfimo que ele seja, coisas grandiosas nos ocorrem: somos ajudados em momentos de desespero por desconhecidos de bom coração; aparece trabalho do nada quando a grana encurta; o carro pifa em frente à oficina... Mas quando se pratica o mal, por menor que seja... não gosto de imaginar.
É assim para tudo e para todos? Sim!!! Escondemos nossas intenções dos outros, tentamos esconder de nós mesmos, mas não há como esconder da vida, nossa credora. Ela sabe o que fazemos e qual a nossa intenção na ação, pois ela é a terra em que plantamos e a terra da qual colheremos os frutos do nosso plantio.
Uma verba desviada, uma mentira contada, um mal plantado é minúsculo! E a colheita é farta.
Além da lei do retorno, existe a lei da atração. Ao contrário do que ocorre na Física, atraímos para nós pessoas e vibrações semelhantes àquilo que oferecemos à vida. "Orai e vigiai" vem justamente dessa necessidade de cuidarmos daquilo que transmitimos.
Hoje, eu tive o prazer de vivenciar a honra de ter podido falar para algumas pessoas "conte a verdade, fale daquilo que você viu, não minta mesmo que você ache que a sua mentira me beneficie"... e essas pessoas fizeram isso!
Agora, aos mentirosos e a quem incita (e se vangloria!) a mentira, uma advertência: a mentira de hoje é do tamanho de um grão de mostarda; quando tiver de colher os frutos da mentirinha plantada (aquela que enganou o outro, mas não a vida) será do tamanho da "maior das hortaliças e faz-se árvore", de tal modo que as aves de rapina não se desprenderão de seus ramos.
Qualquer outro incauto que desconhece o que vai além da nossa vã filosofia diria "Ah, mas quanta bobagem, você poderia ter elaborado uma mentira excelente e viável para se beneficiar?". Claro que poderia! Mas "o que é que eu ia falar para minha mãe"? Poderia ganhar a corrida com trapaças??? Poderia também, mas "Se eu ganhasse desse modo, qual seria o mérito da minha vitória? O que é que eu ia pensar de mim mesmo?".
E isso é tudo por hoje!!!
Plantem boas sementes!!! E, relembrando Chico Xavier, "o bem que você pratica é seu advogado em toda parte".

03 outubro 2013

Ao Meu Amor


Sempre tive em mente que, quando as almas gêmeas se encontram, tem alguma sonoplastia. Nuns casos você consegue ouvir um "plim"; noutros, os sinos dobram.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez em que vi meu sogro José Afonso.

Conhecemo-nos num bar que fica lá no CONIC (todas as vezes que passo ali, lembro desse dia e me vem um sorriso no rosto e meu coração fica bem quentinho). Mas antes fui "avisada" de seu suposto gênio difícil. Bem, sei que foi um gênio que nunca vi. Fui desconfiada, com um medo de apresentar a ele meu gênio também difícil. Assim, que nos vimos, deu pra ouvir os sinos. Embalamos uma conversa interminável, sobre diversos assuntos. perto de nos despedirmos, ele se vira para o filho e diz:

- Ela não é nada obtusa.

Metida como eu só, nem deixei o filho responder, já fui retrucando:

- Sou não, "seu" Afonso, Graças a Deus!

- E você sabe o que quer dizer obtusa?

- Sei sim!
- Minha filha, pode casar com o Júnior e, se um dia vocês separarem, eu serei seu advogado.
 
O tempo passou, casei, separei (não, ele não foi meu advogado, minha separação foi tranquila, não guardei raiva nem nada de ruim do filho dele. Nem poderia, de todas as desavenças com meu ex-marido, é bem nítida a boa criação que recebeu do pai), mas, mesmo não carregando mais o seu sobrenome, não deixamos de ser almas gêmeas.

Notei isso quando fui visitá-lo, já bastante debilitado por conta das sequelas deixadas por um AVC e vi, na estante do seu quarto, uma foto que tiramos assim que meu primeiro filho nasceu. Estávamos eu, ele e o Marco. Ele preocupado em não "quebrar" o neto e eu rindo da situação. Estávamos felizes ali.

Ver aquela foto lá, mesmo depois de separada do filho dele, fez-me ver o quanto eu era especial para ele. Naquele dia, conversamos sobre a advocacia (tinha me formado recentemente) e ele me contou da alegria que era não separar uma família, chamar os cônjuges para conversar e lhes mostrar a importância de se manterem unidos. Também sinto a mesma alegria e, sempre que consigo, lembro-me dele.

Agora minha alma gêmea está se preparando para me deixar. Mas como toda boa alma gêmea, posso, até nesse momento tão doloroso, valer-me da generosidade dele, para poder aceitar sua partida porque terei um pedaço dele comigo nas lembranças fantásticas que trago, no exemplo incrível de homem íntegro, honesto, batalhador, inteligente, estudioso que ele deixará aos filhos e aos netos e no modelo de excelente profissional: uma advogado que valorizava o que a advocacia tem de melhor a confiança que outro ser humano deposita em alguém completamente desconhecido.

Obrigada por tudo, Meu Amor!!! (Tratávamo-nos assim, por “meu amor”).

10 maio 2013

Dia das Mães.. ou só "Mães"

Dia das Mães.
Apesar de muitos condenarem essas datas festivas, alegando servirem apenas para estimular o consumo, o Dia das Mães e o Dia dos Pais tem especial apelo emotivo, pois evocam a presença de duas figuras fundamentais.
Não adianta querer dizer que algum deles é dispensável. A ausência ou a presença deles é crucial na vida de qualquer ser humano.
Mas hoje vou falar de apenas uma ausência: a ausência da mãe. Vou escrever não pela data, mas por uma foto que recebi em meu e-mail que me levou às lágrimas. A foto de uma criança que perdeu a mãe para a guerra. A falta da mãe foi tão marcante, tão dolorosa na vida dessa menina que, mesmo com toda sua singeleza, pegou um giz, foi ao pátio do orfanato e desenhou sua mãe. Depois de pronto, aninhou-se no colo desse desenho e ali ficou.
Curioso que a falta dessa mãe atingiu não só à menina, mas a mim também. Só de escrever sobre isso, volto a chorar.
Todos têm receitas maravilhosas sobre como ser uma boa mãe, não só uma boa mãe, mas a melhor mãe do mundo. Todas essas receitas mirabolantes se resumem numa palavrinha só: amor.
Amar alguém não é difícil, difícil mesmo é arcar com esse amor. Amar seu filho acarretará a uma série de renúncias, exigirá maturidade imediata.
Imagine uma mulher cujo sonho era ter uma carreira promissora, meteórica. Imagine essa mesma mulher sendo surpreendida pela maternidade. Excetuando-se as covardes que optam pelo aborto “por não ser aquele o momento propício para ser mãe”, imaginemos essa mulher repensando todo seu projeto de vida e optando por abraçar essa dádiva divina.
Sua carreira continuará sendo promissora, mas a marcha para essa ascensão será um pouco mais lenta. E isso não é algo ruim, pois cada passo dado representará uma sedimentação. O custo desse passo será tamanho que nada a fará dar ré. Quando alcançar o auge de sua carreira, será muito, mas muito difícil tirá-la de lá, porque ela escolheu chegar ali mais lentamente, mais firmemente, porque tinha de ser profissional e mãe!
Durante sua jornada, ela abriu mão de trabalhar loucamente, de estudar incessantemente os temas relacionados a sua profissão para aprender de novo a ser, para se reconstruir, para reprojetar sua vida. Ela não está mais só, seu filho, sua maternidade, seu amor pelo filho a fez crescer muito mais do que cresceria se estivesse na roda viva da vida.
Ela não abriu mão só de chegar mais rapidamente ao cume, abriu mão de noites de sono, de comida quente e na hora certa, de roupa permanentemente limpa, de andar sempre alinhada, de assistir silenciosamente ao seu programa favorito, de ir ao cinema ou ao teatro, de se encontrar com amigos.
Não deixou de fazer essas coisas, fazia-as sim, mas numa constância infinitamente menor. Então cada encontro com seus amigos era uma festa, cada comida era saboreadíssima, cada cochilo era reparador. Tudo era sempre muito intenso e essa intensidade nasceu não da falta de fazer essas coisas, mas junto com o seu filho, pois ele lhe ensinou que é difícil dar o primeiro passo, mas ele tem de ser dado e, ainda que sobrevenha uma queda, o reerguimento é necessário.
Amar também é saber dizer não, é ensinar o caminho correto, é mostrar para seu filho que fazer o bem vale a pena. Veja, eu disse mostrar, porque nada ensina mais que a prática. Então, graças a esse filho, essa mulher (re)descobriu o quanto é fantástico fazer as pessoas em volta sorrirem, (re)descobriu que todos somos humanos, todos merecemos ser olhado nos olhos e sermos ouvidos.
Olhando essa foto, fico imaginando o tamanho da dor dessa mãe que, por conta de uma guerra estúpida (todas as guerras são estúpidas), subitamente deixou de aprender, deixou de (re)descobrir. Aí vem a sua filha e mostra que ela pode ter deixado tudo, mas não deixou de ser mãe. Sim, ela morreu, seu corpo físico se foi, mas ela continua ali, sendo MÃE, mãe daquela menina que a carregará  pra sempre no coração, não importa o que aconteça, que irá se mirar no exemplo dessa mulher, que dará vida a cada palavra, a cada ensinamento... e tudo isso só foi possível não por conta de uma maternidade, mas porque essa mulher conseguiu mostrar para essa criança que ser uma boa mãe é amar.
Assim dizia o e-mail em que recebi a foto:
"MÃE EM UMA FOTO...
Nem sei o que dizer para encaminhar esta imagem.
Emocionante...
Só mesmo usando as palavras da Clarice Lispector:
'Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.'”


21 dezembro 2012

Feliz fim do mundo!!!

Que momento mais curioso. Estou aqui, em pleno fim do mundo (21/12/2012), ouvindo Never Say Goodbye (Bon Jovi) e fazendo planos e mais planos para 2013.

Alguns não deixei para 2013, já dei início. Um deles é ressuscitar meu bloguinho (bloguinho com carinho, não de menosprezo). A dúvida é: contar "causos" ou escrever textos sobre Direito??? Uma coisa é certa, vou dar um tempinho das musiquinhas que paginaram o blog.