24 outubro 2005

Tolerância zero + imaginação fértil = nova fábula

Ultimamente ando um tanto indócil, mas vou vivendo. O bom é que minha imaginação fértil colabora (e muito) para achar que tudo poderia ser contado de maneira diferente. Aliado a tudo isso, ainda estou lendo Schopenhauer (e tentando entender se o Olavo de Carvalho está fazendo autopropaganda nos comentários ou se está apenas comentando mesmo). Nessa miscelânea toda, eis que assisto ao filme Peter Pan (3 x, como convém a meu filho). Well, o resultado dessa mistureba toda começa no próximo parágrafo. (Vale lembrar, não contem esta historieta a seus filhos, a não ser que seu plano de saúde cubra as consultas com terapeutas).

"Era uma vez, uma terra muito bonita chamada Nevermind (Nem Pensar!), que outrora chamara-se Neverland (Terra do Nunca, pois lá nunca nada dava certo). (Calma, Michael Jackson e seus meninos achados não fazem parte desta história). Neste maravilhoso lugar non sense vivem um monte de seres encantados (fadas, piratas, jacarés comedores de celulares, sereias...).

Não, esta terra não era encantada somente em virtude desses singelos seres. Anos antes, houve uma ampla revolução político-social na qual foram expulsos os sapos e seus parentes, a Antatel e todos os seres desprovidos de cabelos. Toda a sujeira deixada por estes malvados foram dadas ao único jacaré que foi admitido no local. Sendo uma narradora sincera, os seres malvados também entraram no cardápio.

Durante a dita revolução, nasceu Peter Pan. Ele não nasceu exatamente lá, ele é um ex-duende que se cansou da Shosha e pediu asilo político no local. Logo que chegou a Nevermind, foi adotado pelas fadinhas, que lhe deram acesso amplo geral e irrestrito a um pozinho mágico que lhe permitia voar (não, isso não tem nada a ver com tráfico de drogas. O pozinho era legal). De tanto se empanturrar desse pó, conseguia voar a grandes distâncias.

Dentre as fadas, uma logo se tornou sua amiga: Simzinho. Era uma fadinha muito bacana, mas tinha um grave defeito, só dizia "sim" (inclusive no referendo que proibiu a comercialização de estilingues no local). Outro defeito que logo se pronunciou foi a ostensiva adoração por Peter Pan, mas, como todo menino que se preze, Peter sequer tomava conhecimento de Simzinho e da paixão que ela nutria por ele.

Certa feita, Peter e Simzinho resolveram ir além das fronteiras de Nevermind e conhecer outras paisagens. Nesta viagem, Peter se viu admirando um ser diferente dos que vira em Nevermind. Parecia-se com Simzinho, mas diferia nos trajes (Simzinho era adepta de fagodes, faxés e outros estilos contra-musicais que perduravam em Nevermind) e não possuía asas. Seu nome era Windy. Windy adorava contar história a seus irmãozinhos. Todavia, não imaginava que outros também se extasiavam com suas inocentes histórias.

Criando coragem, Peter Pan adentrou o quarto da moçoila e a convidou para fugir com ele para Nevermind. Simzinho ficou possessa e, pela primeira vez na vida, recusou-se a doar seu precioso pozinho para levar aquela desmilinguida para sua amada terra natal. Peter, ameaçando banir de Nevermind o conjunto favorito da fadinha (o Fadypso), não deixou muita opção a Simzinho a não ser voltar a dizer "sim". Assim, Windy foi com Peter à Nevermind (não, ela não levou os irmãos... sabe como é, crise orçamentário-financeira).

Lá chegando, Peter Pan deu ouvidos a seus genes machistas e logo colocou Windy para cuidar dos garotos perdidos e da imeeeeeeeeeeeeeeeeeeeensa casa que os abrigava, além de ter de inventar histórias mais emocionantes, pois as fábulas não faziam muito sucesso entre a criançada. Como era uma menina muito imaginativa, logo inventou historinhas como "Iraque, a sucursal do inferno", "Rei Bush e a conquista do Saint Oil", "O sapo que jurava que era príncipe", e a preferida dos garotinhos "Brasil, o país da pizza".

A situação de Windy era tão triste, tão triste que até Simzinho se compadeceu. Como uma fadinha só não faz verão e querendo se ver livre da rival, Simzinho une-se ao Capitão Gancho para levar Windy de volta ao lar e aos seus, agora, felizes irmãozinhos (que, de uma hora para outra, viram-se livres das histórias de ninar, tais como "Brasil, o país do futuro", "Conselho de Ética na Câmara dos Deputados", "Crescimento econômico", "A esperança venceu o medo" e "A febre aftosa debelada").

A idéia da fada e do pirata dependeria do auxílio das sereias, pois estas tinham um poder que nenhum outro ser de Nevermind possuía: o poder de transformar os homens (de dia, eles a detestavam, mas, à noite, eram convidadas por eles para uma festinha num flat qualquer). Foram, então, ter com a rainha das sereias Jeanny Fisher Water (vai dizer que Jeanny Mary Corner é melhor???). Jeanny, concordou com a seguinte condição: queria ir com Windy (adivinha onde a sereia veio parar???). Selado o acordo, Jeanny pediu uma audiência com Peter, na qual ameaçou divulgar os nomes de seu lindo caderninho.

Para adiantar o final da história (que eu já tô morrendo de sono):
Simzinho: abandonou Peter Pan, uniu-se com Capitão Gancho, e montou uma banda de brega (fazendo jus ao seu estilo) em Nevermind. Continua dizendo "sim".
Jeanny Mary Fisher: optou por viver num país tropical e manteve seu poder mágico. Sua agendinha é disputada a tapa.
Jacaré comedor de celular: é, ele não entrou na história, mas está muito feliz com o que resta da Antatel.
Windy: é professora de Filosofia da USP e continua contando histórias da carochinha.
Os irmãos de Windy: com a volta da irmã, fugiram de casa. Atualmente, estão negociando com a Telemerd a venda de sua empresa de publicidade.
Peter Pan: virou criador de gado em Mato Grosso do Sul.
Os garotos de Nevermind: revoltados com os latifúndios de seu antigo mestre, uniram-se e fundaram o MST. Até hoje eles acreditam em sapos.
As sereias de Jeanny: conseguiram participação em programas e filmes de Shosha"

Até a próxima!!!

19 outubro 2005

Mulheres diferentes...

Ah, as mulheres!!! Seres etéreos, delicados, que adoram receber flores, serem convidadas para jantares românticos (de preferência a luz de velas), preocupadas com a silhueta, sempre dispostas a agradar.

Concordam, caros leitores??? Bem, sinto em informá-los que algumas mulheres são um pouco diferentes (estou neste rol).

Para que você não se sinta perdido ao se deparar com algum exemplar dessa espécie (rara e interessante), aqui vão alguns mitos e verdades sobre elas:

1) Toda mulher adora receber flores.
Tsc, tsc, tsc... Flores murcham, morrem. Embelezam a casa por um tempo e depois haja saco de lixo pra se livrar delas. Essas mulheres visionárias preferem livros ou algum outro presente durável (diamantes inclusos).

2) Elas detestam futebol.
Quem foi o fulano que disse isso??? Leitor, algumas ADORAM futebol, acompanham religiosamente o Brasileirão e não perdem uma decisão por nada neste mundo (mesmo que o time dela não esteja disputando).

3) Jantar a luz de velas
Bem, caso você não tenha medo de ver sua casa incendiada, pode convidá-la. Mas, pelo amor da Santa Carochinha, não entupa a mesa com talheres e copos! E nada de porções francesas.

4) Se você tiver um carrão, conquista todas.
Acredite, nem todas sabem diferenciar marcas de carro. Então, pouco importa se o seu carro é importado ou não, elas não saberão distinguir.

5) Os bonitos sempre se dão bem.
Se tiverem cérebro sim, mas vão ter que ralar muito!!! Temos um leve preconceito, unimos "bonito" a "burro". Transcender a esse preconceitozinho leva tempo. Se você é bonitinho, se acha a última coca-cola gelada do deserto e pensa "ah, se eu não conseguir essa, consigo outras", problema o seu, não sabe MESMO o que está perdendo. Ah, e se acha que nos sentimos mal com o seu afastamento, não se engane, agradecemos a Deus e oramos: "Obrigada, Senhor, pois aquele chato resolveu ligar o desconfiômetro e bater em retirada!"

6) É só dizer que elas são bonitas e já estamos meio caminho andado.
Ficamos linsonjeadas sim, mas não ao ponto de declararmos nosso amor eterno. Surpresa: temos espelho em casa!

7) Pra conquistar é só fingir que não está a fim. Primeiro dá muita bola e depois some-se por uns tempos.
A tática "anus adocicadus" não funciona muito. Se sumiu é porque queria sumir!!! Não perdemos tempo com indagações do tipo "oh, será que ele não gosta mais de mim?".

8) Dinheiro, cartão de crédito, etc. encantam qualquer mulher.
Se você está louco para tomar um golpe do baú, procure aquelas sujeitinhas que vem com adesivo na testa "yeah, I'm material girl". Sorry, elas estão pouco ligando pro seu dinheiro.

9) Para manter o namorado, elas fazem qualquer coisa.
Vacas de presépio também fazem de tudo!!! Elas não.

10) Mulheres sempre põem panos quentes.
Outra lenda. Se você quiser uma opinião sincera, pergunte-nos. Mas se você quer uma aprovação para aquela sua camisa xadrez ridícula, faça a gentileza de não nos perguntar nada.

Para facilitar as coisas. Somos inteligentes e valorizamos isso nas pessoas. Não só a inteligência acadêmica, mas também a vivência. Você não precisa ser Phd para nos conquistar, basta ser você mesmo. Não usamos máscaras, mostramos nossa opinião. Assim, detestamos atores de plantão e pessoas sem opinião (ou aquelas que pensam ter alguma, mas, na verdade, estão recitando algum tipo de mantra). Cantadas baratas, conquistas batidas não têm vez!!! Originalidade sim (eu escrevi "originalidade", por favor, não pequem por mau gosto)!!!

Lendo, parece que somos o iceberg que afundou o Titanic. Não, somos extremamente dóceis, carinhosas, dedicadas com aqueles que foram além. E, pode acreditar, nenhum deles se arrependeu.

Até a próxima!!!

14 outubro 2005

Mente ociosa... The devil’s land

Já tive a oportunidade de colocar aqui o que acho do referendo do desarmamento. Não pretendo mais me alongar no assunto, mas introduzir outro que é de suma importância para a população e que Suas Excelências, os "congressistas-mensalistas", insistem em empurrar com a barriga: a elaboração de um novo Código Penal.

Não é novidade dizer que o Código Penal em vigor extrapolou o conceito de ultrapassado. Elaborado em 1940, época em que os crimes eram brincadeira de criança comparado aos que vemos atualmente. Estamos tão habituados e condicionados a ver manchetes do tipo "Final de semana violento. 10000000000... assassinatos", "Chacina não sei onde", que os crimes que permanecem na memória são eivados de todos os recursos e requintes de crueldade. Sabe aquelas coisas horríveis que achamos só existir em filmes??? Elas acontecem.

Aqui em Brasília, um caso famoso é o de Ana Lídia. Criança (7 anos) foi seqüestrada no colégio onde estudava e encontrada morta dias depois. Para não perder o costume, houve tantas especulações que ninguém soube dizer exatamente o que aconteceu nem apontar seus assassinos. Apenas uma coisa foi certa: palavras e expressões como "estupro", "atentado violento ao pudor", "tortura", "violência" e tantas outras foram as únicas comprovações do caso. Os assassinos saíram livres. Desconfia-se de conivência estatal, pois os suspeitos eram filhos de algumas Excelências da época.

Esta semana me deparo com a palavra "envenenamento" ligada a outra criança: Gabriel Jatobá. Gabriel tinha 2 anos de idade, quando a namorada do pai, achando que o garoto representaria um peso no relacionamento, resolveu que era hora de dar um fim no menino. Preparou um coquetel de veneno e deu a Gabriel. Neste caso há algumas diferenças: sabe-se quem é a assassina e a mulher está livre!!! Está livre também por conivência estatal, posto que apenas usufrui de um direito que o Código Penal lhe garante. Aqui temos novas palavras e expressões: "ré primária", "endereço certo e conhecido", e outras que servem para manter os assassinos longe da cadeia. Arrisco colocar uma palavra em defesa de Gabriel: "tortura". Pode-se alegar "ah, mas o garoto não foi torturado". Não mesmo??? Ele levou horas para morrer. Não foram horas pacíficas como quem espera a morte de maneira plácida. Seu corpo reagia ao mal, tentava ficar vivo e, para isso, sofria horrores. Isso também não seria tortura?

O curioso disso tudo é que a gente tenta reagir ao mal, mas morremos um pouco todas as vezes que achamos normal alguém ser assassinado, como se a pessoa buscasse isso. Concordo que, em alguns casos, a pessoa, mesmo achando que vai viver eternamente, procura a morte (envolvimento com drogas, por exemplo. Todo mundo sabe que "dívida de droga" = "morte", mas sempre acha que consegue driblar essa "lei").

A parte curiosa já era ruim, mas a pior das piores é que Suas Excelências estão tão preocupadas em garantir o mensalão de toda semana e, agora, em se manterem nos cargos que não dão a menor bola para o que as está rodeando. E para nos deixar mais autistas ainda, lançam o tal referendo com pompa e circunstância, gerando discussões inócuas e superficiais: "ter ou não ter uma arma, eis a questão". Aliás, para um partido que faz uso constante da "queima de arquivo" é um contra-senso esperar que ele delibere sobre a elaboração de um novo Código Penal.

Outra coisa que me irrita profundamente é o tal dos direitos humanos. A idéia que se tem é que direitos humanos só serve pra bandido. Se assim é, então deveria ser elaborado um estatuto pra legitimar os direitos dos bandidos e os direitos dos não-bandidos. O estatuto dos cidadãos "de bem" iria ter, no máximo, 3 artigos: "Art. 1º. Dizer amém a tudo e ainda ter que suportar as ações dos órgãos de direitos humanos (dos bandidos, não o seu) Parágrafo único: o direito de dizer "amém", ensejará o pagamento de imposto a ser criado por lei superveniente. Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário. Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação".

A impressão que eu tenho desses órgãos é a seguinte: sala cheia de gente, picotando papel, contando as últimas novidades. De repente, soa o alarme (estão desrespeitando o direito do bandido), aí lá vêm os protestos, as palavras de ordem (outra coisa que me tira do sério é a tal da "palavra de ordem"), e os "heróis" retiram o pobre bandido das garras da justiça (isso quando ela existe, o que não é bem o caso).

Não sou adepta da pena de morte nem da justiça com as próprias mãos, mas honestamente não sei o que faria se me visse na situação das mães de Ana Lídia e de Gabriel Jatobá, principalmente deste, pois a mãe sabe quem matou seu filho e não pode nem presentear a "protegida dos direitos humanos" com uma caixa de bombons recheadas com arsênico. A assassina está aí, livre, leve, solta, debochando dos pais da criança, da justiça. E ninguém faz nada, acha tudo normal, válido, pois está tudo legitimado pelo Código Penal de 1940, época em que não era comum envenenar o filho do namorado. A mãe, como toda cidadã de bem, está lutando por justiça, mas a justiça parece estar lutando contra essa mãe e contra todos nós.

O mais surreal disso tudo é que, supondo que a assassina venha a ver o sol nascer quadrado, será custeada por nossos impostos. Se passar mal na cadeia, irá para o hospital público (também pago por nossos impostos) e furará a fila (caso alguém esteja ferido, tendo um infarto, um derrame, etc., terá de esperar pacientemente o atendimento da "protegida dos direitos humanos", mesmo que o mal dela seja unha encravada). Ficará atrás das grades bordando, fofocando, dormindo, tomando banho de sol, pois a nossa Constituição proíbe trabalhos forçados. Dependendo de seu comportamento, cumprirá 2/3 da pena que lhe foi imposta (2/3 porque o crime é considerado hediondo, senão seria 1/3. Entenda, a definição de "hediondo" da justiça, em termos de sanção, não é bem a definição de "hediondo". Até nisso estamos condicionados.)

Ah, no caso da Ana Lídia, se o(s) assassino(s) resolverem confessar o crime, não acontecerá nada (isso mesmo, NADA), uma vez que já houve a prescrição.

É tão estranho falar em direitos numa realidade como a nossa que, quando vemos um assassino de crianças ou estrupador fazer um tour sem volta a uma penitenciária, chegamos ao cúmulo de vibrarmos, pois os bandidos nos farão justiça!!! Até eles têm suas leis, e estas são rigorosamente cumpridas!!! E a cereja do bolo dessa "justiça às avessas" é que os órgãos de direitos humanos culpam o Estado por não proteger a "vítima" das leis da carceragem. Ou seja, o(s) companheiro(s) de cela que efetivamente matou(aram) o seu "réu" não são alvos dos impolutos órgãos e sim o guarda que ganha um salário de fome, trabalha com armas descartadas por traficantes, com munição contada, e é carne de açougue (primeiro-refém em casos de rebelião)!!!

O Código Penal está tão caduco que se fosse uma pessoa sofreria de todos os males conhecidos e os que ainda iremos conhecer, sendo que um deles seria contagioso: o mal de Alzheimer, esquecendo aqueles que deveria proteger e protegendo aqueles que deveria punir. Aliás, este mal já está se propagando, porque estamos nos protegendo de tudo e de todos, inclusive daquele que deveria nos garantir segurança: o Estado. Invertemos os valores e pagamos por isso, seja com impostos, seja com a vida de nossos filhos, seja com ambos!!! (Enquanto isso, no Palácio do Planalto nossa Excelência máxima está isenta de Imposto de Renda por ter tomado meia dúzia de borrachadas no tempo da ditadura. Mas isso é outra história).

Até a próxima.

Ps.: A quem interessar, meu voto no referendo-carnavalesco do desarmamento é "não".

Ps 2.: Sobre Gabriel Jatobá, visite http://www.visar.com.br/gabrieljatoba/

08 outubro 2005

Novo fã.

Angariei um novo fã. Meu novo fã é muito gente boa (sério mesmo), mas nem por isso é poupado. Depois da fatídica aula de Filosofia (vide "homem é tudo igual, mulher também"), ele chegou à conclusão de que sou brava. Noutra aula, tive de ouvir "por que você é tão bruta?" (marinheiro Popeye perto de mim deve ser uma dama). Sério, na próxima pergunta vou pedir para ele fazer um questionário para que eu possa respondê-lo de uma só vez.

Não bastassem essas colocações, ele ainda teve a pachorra de me imaginar casada com o professor mais aristocrático da faculdade. Sinceramente, não sei o que o levou a pensar de tal maneira, mas é algo tão improvável que, pela primeira vez, tive curiosidade:
- Ué, por que você tá falando isso?
- É porque ele é muito culto, adora ler e você também.
Quando estava pensando ter ganhado alguns pontos, ele não se conteve:
- A casa de vocês ia viver cheia de livros.
- Não se preocupe, minha casa já é cheia de livros.
(Fui bruta? I don't think so)

Certa vez, um outro colega, munido de sua habitual sinceridade, foi categórico: "Andrea, você é uma pessoa muito questionadora. Ou as pessoas te amam ou elas te odeiam". Pela primeira vez na vida, alguém tem coragem de me falar o que muitos adorariam me dizer, mas nunca acharam as palavras certas. O bom do dito é ver que ele deve estar na categoria dos que me amam. Enfim, acho que, também pela primeira vez, sou o alvo, a vidraça. Todos têm algo a dizer a meu respeito. Para quem adora ser eminência parda, essa situação é um tanto quanto incômoda.

Até a próxima!!!

02 outubro 2005

Referendo??? A-D-O-R-E-I !!!!

Antes que resolvam me jogar na fogueira, é bom deixar claro, muito claro, que a idéia do referendo do "sim" ou "não" é, no mínimo, sacana (sorry, professor Ibsen, não encontrei adjetivo melhor). Sacana (sorry again) porque foi uma manobra tosca e cara (a conta é nossa!) de transferir à população a responsabilidade que, em tese, é dos ditos "representantes" (aqueles fulanos eleitos, lembram deles???). Essa transferência não se deu pelo fato de eles (os representantes) serem conscientes (aliás, consciência não é encontrado no dicionário das Suas Excelências), o motivo é simples, o lobby das indústrias armamentistas é fortíssimo no Congresso. Para facilitar o entendimento, é a típica ação "a la Pilatos": "olha, a culpa não é minha, foi a população que escolheu assim".

Essa história toda de "sim", "não" me lembra um antiqüíssimo programa do Silvio Santos, chamado "Domingo no Parque". Pra quem não é dessa época, uma breve explicação: o competidor era colocado numa câmara com isolamento acústico e era obrigado o usar um imeeeeeeeeeeeeeeeeeeenso fone de ouvido e prestar bastante atenção a uma luz vermelha. Então, o apresentador fazia perguntas do tipo "Você aceita trocar a sua bicicleta Monark (nossa, senti-me jurássica agora) por esta caixa de fósforos???", a luz era acesa e o competidor tinha de dizer "siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim" ou "nãããããããããããããããããããããããão". Pois bem, assim é o referendo: informações obscuras para se tomar uma decisão que não deveria ser nossa.

Esclarecido o fato (fui salva da fogueira???), acho fantástica essa idéia do referendo. Creio que deveria ser utilizada com mais freqüência. Já imaginou na maravilha que seria ir às urnas para dizer "sim" ou "não" a perguntas como: "Você concorda com o aumento dos congressistas?", "Você acha que as alíquotas do Imposto de Renda deveriam ser corrigidas anualmente?", "Você concorda com a reforma previdenciária proposta?", "O Código Penal precisa ser atualizado?"... Enfim, o referendo deveria ser realizado sempre e com assuntos mais interessantes e que afetam diretamente a vida do cidadão, não só no quesito "violência" (sim, porque segurança praticamente inexiste), mas em diversos outros.

Até a próxima!!!

Ps.: Em tempo, não me decidi se sou a favor ou não da comercialização de armas. As informações que tentam nos passar não são suficientes para formar opinião.