26 dezembro 2006

Uma não-restrospectiva 2006

Segundo a tradição chinesa, 2006 foi o ano do cão (concordo em gênero, número, grau e espécie). Seria mais ou menos o que os alemães chamariam do ano Schweitzfudüe. Decididamente, 2006 foi um ano que fez jus ao nome. Se eu pudesse transformar 2006 num filme, certamente seria “Querida, encolhi o ano!”. Já até bolei o diálogo entre os protagonistas:

- Querida, encolhi o ano!!!
- Jura??? Que maravilha!!! Agora vai logo patentear esse purgante!!!

Falando em purgante, no post anterior, transcrevi um clássico dito da sabedoria medieval. Para não ter de remeter o leitor ao post, coloco novamente o tal provérbio: "se a vida lhe der um limão, faça uma limonada. Se a vida lhe der uma laranja, faça uma laranjada. Agora, se a vida lhe der um cágado, dê esse cágado para alguém". Aproveitando que o ano Schweitzfudüe está chegando (finalmente!) ao fim, afixo a placa de “passa-se o cágado”. Trata-se de um cágado albino (sim, porque pra 2006 ter sido o ano do Schweitzfudüe, tinha de ser um cágado inédito na literatura científica), ano 2006/2006 e milhaaaaaaaaaaaaaaaaaaares de quilômetros rodados. Interessados, favor postar comentários.

Aos queridos leitores, externo minha imensa felicidade em ver o ano do cão chegando ao fim e desejo um felicíssimo 2007!!!

Ps.: Só rindo pra não chorar mesmo... 2007 será o ano do porco!!! A vantagem é que até o ano novo eu pretendo passar o cágado adiante!!!

20 dezembro 2006

Uma quase mudança de endereço...

Como já deu pra notar, eu adoooooooro escrever... daí fiz um blog (este aqui mesmo) para poder dar vazão aos pensamentos incomuns que, por vezes, me assolam. Então, conheci um amigão graças às minhas idéias meio malucas e resolvemos montar um blog a quatro mãos. Tá certo que são mãos bem distantes uma da outra (a dele em sampa e a minha em Brasília. Aliás, gostaria de agradecer aos eleitores de São Paulo por mandarem Clodovil e Paulo Maluf pra cá. Vocês não tinham nada melhor o que fazer não???), mas a internet vai se encarregar de unir, pelo menos, as idéias.

Não, não estou abandonando o pensamentos simples, mas agora ocuparei dois espaços ao mesmo tempo (um desafio à Física!!!): o PS e o http://lentesdeaumento.blogspot.com/.

11 dezembro 2006

Propagandas

Estava pensando em começar esse post por um acontecimento protagonizado por mim e dois pais lá no colégio do meu filho, mas opto por seguir à risca o que disse à suposta mãe: “guarde suas opiniões para você, elas pouco me interessam” (e assim, acabou-se uma linda discussão).

Não, este post não terá nada de grandioso (a boa Andrea está de volta!!!), nada de profundo, nada sobre sentimentos, blá-blá-blá... É como está escrito nos parênteses, a boa Andrea está de volta!!! (Nem eu agüentava mais Madre Teresa comandando e dizendo o quanto devemos ser tolerantes, que as pessoas sempre têm um lado bom, etc... Fraulein retorna ao comando e retruca que pessoas têm sim um lado bom, mas é mais fácil descobrir o elo perdido que encontrar esse lado nelas. Alguns acontecimentos e o casalzinho acima me mostraram o tanto que a alemãzinha está certa).

Assim, se o caro leitor está esperando algo de otimista, de incentivador, continue satisfeito com os posts abaixo e pare de ler este por aqui, ok?

Comecemos então...

Pra quem assiste à Rede TV, já se deparou com aquela “fantástica” propaganda do Dream Week, estrelada por Luciana Gimenez, que promete fazer você secar em uma semana. Aí, é claro, vêm aqueles inúmeros relatos sobre os efeitos do produto “emagreci 5 kg”, etc... (Para aqueles que não assistem à Rede TV: Dream Week é uma espécie de “cesta básica” para candidatos a anoréxicos, contendo 28 barrinhas de cereal, 7 sopinhas e um livrinho. Bem, não sei para que servirá o livrinho, pois com o cérebro debilitado pela fome, será difícil assimilar algo.)

Em que pese o nome do produto ser algo como “semana de sonho” (muito provavelmente porque você passar a semana i-n-t-e-i-r-i-n-h-a sonhando com comida), acho que descobri o verdadeiro segredo: o pacotinho custa “apenas” R$ 299,00 (à vista)!!! Então a coisa funciona da seguinte maneira: você paga um absurdo pra passar a maior fome e não te sobra dinheiro pra comprar nem um bombonzinho!!! É muito eficiente esse troço!!! Deve ser por isso que ninguém sorri nos depoimentos!!! Mas, pasmem, tem gente que vai partir para a fase 2 do Dream Week (são para aquelas pessoas que, como eu, recusam-se a ver que pesadelo não é sonho e querem se certificar disso depois da rabagésima tentativa. A sorte é que, pelo constante no site http://www.redetvshop.com.br/produto.asp?id_produto=167&id_departamento=8 , o tratamento só dura 4 semaninhas!!! Assim, as pessoas levarão só quatro semaninhas para constatar que o “dream” refere-se à conta bancária da apresentadora!!!).

Outro produto que me chamou a atenção foi o tal do “ab king pro”, uma espécie de prancha abdominal só que com alguns maravilhosos recursos que prometem a tão sonhada “barriga-tanquinho”. Funciona assim, com apenas 3 minutos diários, sua barriga ficará saradíssima!!! Mas uma coisa me intrigou: se a prancha é tão boa assim, por que vem com um livro de dieta (convenientemente chamado “plano alimentar”)??? E ainda tem gente q. cai nessa... Ah, essa é outra propaganda em que não se vê um só sorriso nos depoimentos. Parece que ninguém ficou feliz em ter a barriga dos sonhos (sem trocadilhos, por favor).

Tem ainda uma bermudinha que promete o extermínio da celulite (vem com biocerâmicas invel – não tenho a menor idéia do que isso significa). Só que tem um detalhezinho importantíssimo (como diria Guimarães Rosa, o diabo está nos detalhes): você só pode tirar a bermuda pra tomar banho (segundo o depoimento de uma sorridente – a primeira – moçoila, ela usava a bermudita 24h por dia. Gostaria de ver a cara do namorado dela ao se deparar com esse depoimento). Pare pra pensar, tente imaginar o odor de enxofre que não deve ficar a tal bermuda (e outros locais) depois de um mês (realmente, o diabo está nos detalhes). Isso porque a propaganda informa que um mês de uso equivale a 8 sessões de drenagem linfática!!! Então, em vez de ter aquela massagista sádica, que adora te deixar roxa, use a bermudinha e tenha o olor diabólico no corpo!!! Ninguém, nem seu namorado nem mesmo a massagista sádica chegarão perto de você.

Ah, chega de propaganda... melhor, vou mudar o estilo de propaganda!!!

E aumentando o nível do marketing, tenho um amigo (lindooooooooooooooo!!!) que também é blogueiro (www.sv2rock.blogspot.com). Enfim, ele é lindo, tem um sorriso mais lindo ainda, e... tem cérebro!!! (Calma, o nível ainda não está à altura). Finalmente, consegui conversar online com ele (milagre!!!) e descobri que o moçoilo mede “apenas” 1,98m!!! (Eu não disse que ia aumentar o nível???).

A internet nos traz muita coisa, e a mais maravilhosa delas são as amizades. Nunca pensei que, escrevendo um blog, seria lida, ainda mais que faria amigos tão especiais quanto o Vagner. Mas tem um detalhezinho (olha o caramunhão aí de novo), ele mora muito longe!!! (Sim, Vagner quem mora longe é VOCÊ!!!!!).

Tá, por um amigo a gente até traz a Madre de volta, mas é temporário e só para pessoas especiais, ok??? Fraulein rides again!!!

E pra finalizar, uma piadinha ao estilo Fraulein:
“Um menino acidentalmente engole uma moeda de cinqüenta centavos e começa a sufocar enquanto seu pai grita por socorro. Uma mulher que saboreava seu cappuccino do lado de fora de um bar vê a cena, coloca o jornal e a xícara na mesa e caminha até o menino. Ela o aperta com bastante força até que a moeda pula, agarra-a com firmeza, entrega-a ao pai e volta para a mesa. O pai, aliviado, vai atrás dela, dizendo palavras de agradecimento.
- Foi fantástico! – diz ele – Você é médica?
- Não – responde a mulher – trabalho para a Receita Federal.”


Até mais!

Ps.: Só para não dizer que não deixei nenhuma mensagem significativamente profunda aos meus diletos leitores: "se a vida lhe der um limão, faça uma limonada. Se a vida lhe der uma laranja, faça uma laranjada. Agora, se a vida lhe der um cágado, dê esse cágado para alguém"

08 novembro 2006

Parábola interessante

Sempre ouvi dizer q. perdoar era divino. Há pouco tempo, descobri que perdoar é libertador. Perdoando, libertamo-nos das amarras, das mágoas, de uma série de sentimentos ruins que pesam em nosso espírito. Descobri que se perdoar é mais difícil que perdoar o outro. Culpar os outros sempre foi muito fácil, mas olhar para si e deixar a consciência te julgar com a mesma severidade com que julga o outro é tarefa para poucos, muito poucos, e estou orgulhosa de ter conseguido fazer isso.

Em vez do perdão, sempre nos arrogamos no direito de achar que podemos cobrar do outro todas as dívidas das quais pensamos ser credores. Aí causamos sofrimento, muitas vezes sem intenção, noutras com uma vontade sádica de ver aquele que nos fez sofrer pagando por cada um de seus erros (convenientemente esquecendo-nos de que a perfeição não existe, bem como de qualquer coisa boa que essa pessoa possa ter feito por nós).

"O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal para fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo chama o menino para uma conversa.

Zeca, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado. Antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:- Pai, estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito aquilo comigo.Desejo tudo de ruim para ele.Seu pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho que continua a reclamar:

- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito. Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o acompanhou, calado.

Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:

- Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu, endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou.

O menino achou que seria uma brincadeira divertida e passou mãos à obra. O varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o alvo. Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai que espiava tudo de longe, se aproxima do menino e lhe pergunta:

- Filho como está se sentindo agora?
- Estou cansado mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa.

O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e carinhoso lhe fala:

- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa.

O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo. Que susto! Zeca só conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos. O pai, então lhe diz ternamente:

- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você. O mal que desejamos ou fazemos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos.

Cuidado com seus pensamentos, eles se transformam em palavras;
Cuidado com suas palavras, elas se transformam em ações;
Cuidado com suas ações, elas se transformam em hábitos;
Cuidado com seus hábitos, eles moldam o seu caráter;
Cuidado com seu caráter, ele controla o seu destino."

A carta de Olívia a Eugênio

Um dos livros que amo foi escrito por Érico Veríssimo. "Olhai os lírios do campo" pode ser encarado como mais um livrinho água-com-açúcar dos tantos que há por aí, mas há uma grandiosidade, uma generosidade, uma sensibilidade que salta aos olhos (é clichê, mas não achei melhor). É uma expressão de fé na vida, nas pessoas, a fé que Olívia teve em Eugênio (ah, chega, leiam o livro que é bem melhor). Só para mostrar um tiquinho desse otimismo todo, transcrevo abaixo a carta de Olívia a Eugênio. É longa, mas vale cada segundo de leitura.

"Meu querido: o Dr. Teixeira Torres acha que a intervenção deve ser feita imediatamente e daqui a pouquinho tenho que ir para o hospital. Não sei por que me veio a idéia de que posso morrer na mesa de operações e aqui estou te escrevendo porque não me perdoaria a mim mesma se fosse embora desta vida sem te dizer umas quantas coisas que não te diria se estivesse viva.

Há pouco sentia dores horríveis, mas agora estou sob ação da morfina e é por isto que encontro alguma tranqüilidade para conversar contigo. Mas estarei mesmo tranqüila? Acho que sim. Decerto é a esperança de que tudo corra bem e que daqui a quinze dias eu esteja de novo no meu quarto, com a nossa filha, e meio rindo e meio chorando venha reler e rasgar esta carta, que então me parecerá muito tola e ao mesmo tempo muito estranha.

Quero falar de ti. Lembra-te daquela tarde em que nos encontramos nas escadas da faculdade? Mal no conhecíamos, tu me cumprimentaste com timidez, eu te sorri um pouco desajeitada e cada qual continuou o seu caminho. Tu naturalmente me esqueceste no instante seguinte, mas eu continuei pensando em ti e não sei por que fiquei com a certeza de que ainda haverias de ter uma grande, uma imensa importância na minha vida. São pressentimentos misteriosos que ninguém sabe explicar.

Hoje tens tudo quanto sonhava: posição social, dinheiro, conforto, mas no fundo te sentes ainda bem como aquele Eugênio indeciso e infeliz, meio desarvorado e amargo que subia as escadas do edifício da faculdade, envergonhado de sua roupa surrada. Continuou em ti a sensação de inferioridade (perdoa que te fale assim), o vazio interior, a falta de objetivos maiores. Começas agora a pensar no passado com uma pontinha de saudade, com um pouquinho de remorso. Tens tido crises de consciência, não é mesmo? Pois ainda passarás horas mais amargas e eu chego até a amar o teu sofrimento, porque dele, estou certa, há de nascer o novo Eugênio.

Uma noite me disseste que Deus não existia porque em mais de vinte anos de vida não O pudeste encontrar. Pois até nisso se manifesta a magia de Deus. Um ser que existe mas é invisível para uns, mal e mal perceptível para outros e duma nitidez maravilhosa para os que nasceram simples ou adquiriram simplicidade por meio do sofrimento ou duma funda compreensão da vida. Dia virá em que em alguma volta de teu caminho há de encontrar Deus. Um amigo meu, que se dizia ateu, nas noites de tormenta desafiava Deus, gritava para as nuvens, provocando o raio. Deus é tão poderoso que está presente até nos pensamentos dos que dizem não acreditar na sua existência. Nunca encontrei um ateu sereno. Eles se preocupam tanto com Deus como o melhor dos deístas.

O argumento mais fraco que tenho contra o ateísmo é que ele é absolutamente inútil e estéril; não constrói nada, não explica nada, não leva a coisa nenhuma.

Se soubesses como tenho confiança em ti, como tenho certeza na tua vitória final...

Deixo-te Anamaria e fico tranqüila. Já estou vendo vocês dois juntos e muito amigos na nova vida, caminhando de mãos dadas. Pensa apenas nisto: há nela muito de mim e principalmente muito de ti. Anamaria parece trazer escrito no rosto o nome do pai. É uma marca de Deus, Genoca, compreende bem isto. Vais contunuar nela: é como se te fosse dado modelar, com o barro de que foste feito, um novo Eugênio.

Quando eu estava ainda em Nova Itália. Li muitas vezes o teu nome ligado ao do teu sogro em grandes negócios, sindicatos, monopólios e não sei mais quê. Estive pensando muito na fúria cega com que os homens se atiram à caça do dinheiro. É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época. Eles esquecem o que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha-céus se não há mais almas humanas para morar neles?

Quero que abra os olhos, Eugênio, que acorde enquanto é tempo. Peço-te que pegues a minha Bíblia que está na estante de livros, perto do rádio, leias apenas o Sermão da Montanha. Não te será difícil achar, pois a página está marcada com uma tira de papel. Os homens deviam ler e meditar esse trecho, principalmente no ponto em que Jesus nos fala dos lírios do campo que não trabalham nem fiam, e no entanto nem Salomão em toda sua glória jamais se vestiu como um deles.

Está claro que não devemos tomar as parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar deitados à espera de que tudo nos caia do céu. É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Precisamos, entretanto, dar um sentido humano às nossas construções. E, quando o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.

Não penses que estou fazendo o elogio do puro espírito contemplativo e da renúncia, ou que ache que o povo devia viver narcotizado pela esperança da felicidade na “outra vida”. Há na terra um grande trabalho a realizar. É tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemos cruzar os braços enquanto os aproveitadores sem escrúpulos engendram os monopólios ambiciosos, as guerras e as intrigas cruéis. Temos de fazer-lhes frente. É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência e sim com as do amor e da persuasão. Considera a vida de Jesus. Ele foi antes de tudo um homem de ação e não um puro contemplativo.

Quando falo em conquista, quero dizer a conquista duma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, através do espírito de cooperação.

E quando falo em aceitar a vida não me refiro à aceitação resignada e passiva de todas as desigualdades, malvadezas, absurdos e misérias do mundo. Refiro-me, sim, à aceitação da luta necessária, do sofrimento que essa luta nos trará, das horas amargas a que ela forçosamente nos há de levar.

Precisamos, portanto, de criaturas de boa vontade. E de homens fortes como esse teu amigo Filipe Lobo, que seria um campeão de nossa causa se orientasse a sua ambição, o seu ímpeto construtor e a sua coragem num sentido social e não apenas egoisticamente pessoal.

Não sei, querido, mas acho que estou febril. Este entusiasmo, portanto, vai por conta da febre.

Ouço agora um ruído. Deve ser a ambulância que vem me buscar. Senti um calafrio e parece que minha coragem teve um pequeno desfalecimento. Estás vendo o tremor de minha letra? É que sou humana, Genoca, profundamente humana, tão humana que te confesso corando um pouco (apesar dos trinta anos e da profissão) que antes de ir para o hospital eu quisera beijar-te muito e muito.

Anamaria fica com D. Frida. Sei que depois, se eu morrer, virás buscá-la para a nova vida.

Reli o que acabo de escrever. Estou fazendo um esforço danado para não chorar. Tolice! Espero que tudo corra bem e que dentro de duas semanas eu esteja queimando esta carta que já agora me parece um pouco melodramática.

Antes que me esqueça: na gaveta da cômoda há um maço de cartas que te escrevi de Nova Itália expressamente para “não te mandar”. Agora pode lê-las todas. Não encontrarás nada do meu passado, do qual nunca te falei e sobre o qual tiveste a delicadeza de não fazer perguntas. É pena. Gostaria que soubesses tudo, que visses como minha vida já foi feia e escura e como lutei e sofri para encontrar a tranqüilidade, a paz de Deus.

Adeus. Sempre aborreci as cartas de romance que terminam de modo patético. Mas permite que eu escreva.

Tua para a eternidade.

Olívia"

As palavras de Olívia surtiram efeito, pois, algumas páginas após, Eugênio, numa conversa com um colega de profissão diz:

"Existem duas espécies de crueldade. A crueldade que se comete por cegueira, por incompreensão, e a crueldade que se comete por prazer. No primeiro caso, a educação dos sentimentos poderia melhorar a situação. O segundo é um caso de sanatório. Por isso é que eu digo que há um grande trabalho para médicos e professores."

Espero que gostem a ponto de lerem o livro e tentarem extrair dele um pouco da grandiosidade que pode ter o ser humano.

Até a próxima!!!

03 novembro 2006

E depois da tempestade...

SEMPRE vem a bonança!!!

Sempre imaginei a bonança como uma segunda tempestade cheia de coisas boas, mais ou menos como uma chuva de doces para uma criança. Noutras vezes, era como uma mudança diametralmente oposta à ocasionada pela tempestade. Mas agora estou descobrindo que não.

Antes mesmo de tecer qualquer comentário sobre a bonança, convém dar algumas pinceladas na fatídica tempestade. Há pessoas no mundo (sempre há) que têm o dom de nos magoarem. A eficácia com que conseguem impingir mágoas aos nossos corações, deixando-nos arrasados, péssimos, sentindo-nos como se ocupássemos injustamente um lugar no mundo, é merecedora do “ISO 9000 e qualquer coisa”. Transformam nosso coração num poço sem fundo de mágoas, sempre cabe mais uma, mais outra e mais outra e assim sucessivamente... mas, novidades, o poço tem fundo!!! (No meu caso, o poço é muiiiiiiiiiiiiiiiiito fundo, mas tem fundo sim.)

Aliás, ainda no meu caso, tenho de fazer um “mea culpa”: em que pese ter sido reduzida a achar que as pessoas me faziam um favor em apenas gostarem de mim (se houvesse uma escala de auto-estima, a minha estava beirando o menos infinito) e isso ter sido a principal condição para errar, ainda assim, errei. Se é passível de correção ou não, eu não sei, mas já virei a página e me perdoei.

Feito o “mea culpa”, voltemos...

Pensando que o poço não tem fundo, os detentores do “ISO 9000 e qualquer coisa” sempre arranjam um jeito de tornar mais eficaz o resultado da próxima mágoa (usam todas as pessoas e todas as coisas nesse fim). Antes de o poço chegar ao limite, sofre-se bastante (pão amassado pelo diabo com o rabo, com direito a pisadas, sentadas e outros atos do dito cujo é um manjar!!!). Quando o poço chega ao limite, Deus começa a entrar.

O primeiro sentimento é o de revolta, chega-se a odiar a pessoa (o tal detentor). Essa fase costuma durar bastante e é bem difícil, principalmente quando não se é dado a rancores, tristezas e sentimentos afins. Não nos reconhecemos, não somos aquela pessoa, não somos daquele jeito, não gostamos nem alimentamos a tristeza (mas alguém as alimenta muito bem e não poupa qualquer esforço para isso). Eis que chega a gota d’água. As mágoas transbordam e não fazem mais efeito (ou porque elas já não estão mais no poço, ou porque você já sabe que o que o detentor puder fazer para magoar, humilhar, pisar ele certamente o fará). Nesse estágio, você pensa “ok, já paguei pelo erro. Sua cobrança foi muito bem feita, agora estamos quites. A partir daqui, tudo o que for feito com o intuito de me magoar será uma cobrança indevida”. É nesse instante que você se perdoa, estabelece um limite para o seu sofrimento e começa a limpar o seu coração (o tal poço). Joga fora todas as mágoas, todas as tristezas e dá início à preparação do novo, do que virá, do por vir. Aqui inicia a bonança.

Com a bonança vem a esperança (rima não-proposital). Você volta a ser você, quem você era antes de toda a tempestade. Não se volta sozinho, volta-se com mais fé em Deus (que lhe segurou nas fases anteriores) e em você mesmo, ressurge-se com mais garra, com mais vontade de se viver, de progredir, de tornar seus sonhos realidade. E, por mais contraditório que possa parecer, com mais fé e esperança nas outras pessoas, acreditando piamente que o pesadelo acabou e você conseguiu passar por ele e sair melhor. Sim, você se torna melhor que antes!!! (parece inacreditável, mas é verdade). Tudo de ruim acaba, a escuridão acaba, pois você encontrou uma luz (no início, ela é pequena, mas a sua vontade de torná-la maior que a luz do sol é tanta que seu foco se vira para isso). Acham que acabou??? Não, tenho mais boas notícias!!! Essa luz não vem dos outros, vem de você!!! Você não a tomou emprestada de ninguém, não terá de devolver a ninguém, ela é sua!!! O que ou quem vier daqui pra frente será atraído pela sua luz e não pela sua dor. Quem vier, não vai querer lhe tirar do breu, emprestando a luz delas, vai querer unir a luz dele à sua para que se tornem maior que a luz do sol!!!

Um adendo antes de terminar: sempre falo que Deus nos manda uns anjinhos (mesmo que estranhos, mas anjinhos), para dizerem: “Olha, não se afunde não, porque Deus é contigo”. Pois bem, num espaço de uma hora escrevendo este texto, Deus mandou três anjinhos com esse recado. E a todos eles, respondi “eu sei! Minha fé me diz!”

Moral da história: por melhor que seja o “ISO 9000 e qualquer coisa”, toda e qualquer atitude que lhe magoe ou lhe atinja de certa forma só serve para mostrar quem é quem. É como li certa vez, quando indagaram sobre como superar uma grande decepção (no caso da pergunta, era uma decepção amorosa) “acredite que Deus está à frente e te livrou de uma grande enrascada” (não foi bem “enrascada” que usaram... era uma palavra começada por “m”, que não convém a um blog de respeito, né?). Por mostrar quem é quem, não se espante se o detentor se tornar um completo desconhecido e você se vir tratando-o como um desconhecido, posto que foi somente agora que você realmente o conheceu (sabe aquele papo de essência? Pois bem, antes você conhecia somente a aparência, agora revela-se a essência).

Até a próxima!!!

31 outubro 2006

Uma musiquinha representativa

Adoro Chico Buarque e essa letrinha diz muito, apesar de ser pequenininha...

"Gota d'água

Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa

Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água

Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa

Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água
Pode ser a gota d'água"

Até mais!

09 outubro 2006

Cadê o post que estava aqui???

O post estava pra lá de down, por isso resolvi apagá-lo.

Gostaria de agradecer (muito) aos comentaristas (tanto aos que comentaram aqui, quanto àqueles que me enviaram e-mails. É muito gratificante ver que, mesmo sem saberem o que se está passando exatamente ou sem me conhecerem, vocês se preocuparam comigo. Sinceramente, não tenho palavras para agradecer (é que tem horas que um "obrigada" fica pequeno demais pro tamanho da gratidão).

Aos curiosos e interessados, o feriadão foi ótimo, maravilhoso!!! Especialíssimos agradecimentos a: Robson, Jonas, Cuequinha (sobrinho do Jonas), meus primos-irmãos que eu amo de coração, minha super tia, meu tio, minha mãe e meu filho-presente (tá pensando que só mãe é presente??? Filho também é!!!).

Fato curioso: descobri que não estou só!!! Como bem disse minha tia, tenho uma irmã gêmea (psicologicamente falando, claro). Minha prima é simplesmente idêntica a mim!!! É, definitivamente, servi de exemplo para o clã!!!

Até mais!!!

Beijos a todos os que torcem por mim, ainda não cheguei aos 100%, mas eu chego lá!!!

06 outubro 2006

Sim, eu ainda existo!!!

Nossa, tem tanto tempo que eu não escrevo... será que eu ainda sei como se faz isso??? O jeito é tentar, não é mesmo?

Comecemos então:

Sexta-feira passada (dia 28/09), fui buscar meu filho na escola. Até aí nada de mais. Fiquei sentada num dos bancos do pátio quando ouço uma voz (não, ela não vinha do céu nem do inferno, mas do alto-falante) pedindo para as professoras prepararem seus alunos para o “momento cívico”. Dali uns 5 minutos, eis que começa o “taranranran, taranranran” do Hino Nacional. Como toda boa cidadã e mãe (mãe tem de dar exemplo né? Vai que meu filho me vê sentada e depois resolve me questionar?), levantei-me e comecei a cantar o hino. Estávamos (eu e o coro de aproximadamente 400 vozes infantis – de 3 a 6 anos) lá pelo “raios fulgidos” quando me dá uma discretíssima crise de riso (juro, foi discreta mesmo). Fiquei imaginando o que se passa na cabeça da criançada ao ter de pronunciar palavras complicadíssimas... e dei a errada de imaginar a cena:

Imagine aquela menininha bonitinha, arrumadinha (bem, mais ou menos, pois às 18h todo e qualquer penteado já foi embora, assim como a limpeza do uniforme), naquela postura de “respeito à bandeira”, cantando com toda a convicção e pensando: “que raios vem a ser fulgidos?”, “Florão??? Será q. é um florzão???”, “lábaro que ostentas estrelado é o novo carro da Polly?”... Cabe ainda uma versão “virundum”: “Do que a terra, margaridaaaaaaaaaa”. Enfim, elucubrações da mente insana de uma mãe sã.

Quando eu também tinha de passar por esses “momentos cívicos” imaginava cada coisa!!! Em “a terra desce”, via a Terra descendo 5 níveis em relação ao sol (não, eu ainda não conhecia a lei da gravidade); “se ergues da justiça a clava forte”, pensava naqueles ciclopes, vestindo roupas semelhantes às de Bamban Rubble (filho do Barney??? Amigo de Fred Flintstone???), levantando uma imensa clava. Enfim, elucubrações da mente insana de uma criança sã.

Mudando de assunto:

Aproveitando a “renovação” no Congresso Nacional, sugeriria a algum parlamentar a criação de uma lei, obrigando aos indicados para ocupar cargos em comissão a freqüentaram aulas de boas maneiras. Por que??? Ora, vocês não viram com que delicadeza a Sra. Denise Abreu, diretora da ANAC, tratou os familiares das vítimas do vôo 1907???
"Vocês são inteligentes, o avião caiu de 11 mil pés de altura, a 400 quilômetros por hora. O que vocês esperavam? Corpos?" (http://oglobo.globo.com/pais/mat/2006/10/02/285930018.asp). Sim, eles (os parentes) são imensamente inteligentes. Eles não têm a menor dúvida de que o féretro será lacrado. Mas (sempre tem um “mas”) é realmente necessário a Sra. Denise não deixar a menor sombra de dúvida para pais, mães, esposas, filhos de que o corpo de seu ente querido está em péssimas condições???
Ela, a diretora da ANAC, pode também ser extremamente inteligente, culta, técnica, mas respeito, sensibilidade, educação (daquela básica, ensinada dentro de casa) não fazem parte de seu dicionário. Espero que outras palavras e expressões sejam inseridas no vernáculo dessa senhora “indenização por dano moral” seria um bom começo, ou, quem sabe, “exoneração”. Só a título de lembrança à tão culta diretora, tratar com urbanidade as pessoas é OBRIGAÇÃO do servidor público (sim, é um DEVER e não um favor). Caso haja dúvidas, consulte o art. 116, XI, Lei nº 8.112/90.

Aos familiares e amigos das vítimas, minhas sinceras condolências.

Até mais!!!

11 julho 2006

Por favor, não leiam...

Sim, por favor, não leiam este post. Trata-se de um mero desabafo e pode soar piegas (coisa que eu abomino, mas do qual às vezes é difícil escapar). Sempre tive o hábito de desabafar no papel, mas como escrever faz minha mão doer, optei por digitar. Assim, queiram cometer a gentileza de não ler este texto (para alguns, a gentileza é tão difícil de realizar que, quando ocorre de sair algo gentil, é reles cometimento - meio sem querer, sabe?).

Na minha adolescência, havia uma música que tinha o seguinte trecho: “há muito tempo eu ouvi dizer que o homem vinha para nos mostrar que todo mundo é bom e que ninguém é tão ruim. O tempo voa e agora eu sei que só quiseram me enganar, tem gente boa que me fez sofrer, tem gente boa que me faz chorar”. E não é que o danado do trecho tem razão!!!

É óbvio que eu já dava ao trecho certo crédito, mas o que me espanta é a criatividade do ser humano em magoar os demais seres. O pior não é nem a raiva, a frustração, e sim a decepção. A raiva e a frustração nos impelem a revidar, a fazer algo, enfim, põem-nos em movimento, bem ou mal, sentimo-nos vivos. A decepção não. Ela nos deixa na mais completa inércia, mata algo em nós e deixa um espaço vazio. Muitas das vezes decreta a morte em vida de pessoas que, outrora, nos eram caras, a quem defendíamos com unhas dentes, ossos e sangue.

Quando nos pomos a querer resgatar o sentimento que preenchia o espaço onde agora há um vácuo, temos a impressão de que esse vácuo nos suga e, por mais incrível que possa parecer, ouvimos “o que havia aqui era ilusório”. Não conseguimos sentir raiva, desprezo, não agimos, não reagimos, simplesmente, não sentimos. O “não sentir” é que nos dá a tristeza, melhor, o deixar de sentir é que nos remete à melancolia profunda. A pessoa pode estar ali, sentindo, falando, respirando, mas para nós há apenas uma lápide: “Aqui jaz”. O curioso é notar como pessoas que efetivamente morreram permanecem mais vivas em nós que muitas que por aí andam.

Há também um ditado popular que diz que problema nunca vem só. Outro ponto para a sabedoria-pessimista-popular. Unindo o trecho da musiquinha acima ao dito popular, num espaço de uma semana três criativos representantes do “homo sapiens” conseguiram a proeza de me botar abaixo do abaixo. Um já teve seu “aqui jaz” decretado, os outros estão em franco processo de “jazimento”.

O que já teve sua certidão de óbito lavrada sepultou mais de 15 anos de amizade por conta de algo que eu abomino: falsidade. Simplesmente acabou. Foi uma pessoa que me trocou por algo que julgou ser mais vantajoso que a minha amizade. Espero que realmente seja.

É fácil magoar os outros. Você pode destruir algo de muito bom, grandioso, bonito, de uma vez ou aos poucos. Quando você mata de uma vez, a pessoa sofre de uma vez (sofre muito, mas tem a certeza de sua situação). Quando você mata aos poucos, você desnorteia a pessoa, causa uma ferida e a alimenta a cada mágoa ali depositada. Chega a um ponto em que a ferida está tão grande (ou porque você quis assim ou porque você simplesmente perdeu o controle, não que isso lhe importe ou interesse), que a pessoa já não mais sabe o que fazer, em que acreditar, não sabe, não sabe... É um método tão cruel que se tira absolutamente tudo da pessoa, do sorriso à crença em si mesma, chegando ao ponto de fazer com que a pessoa sinta uma irremediável saudade do que ela costumava ser. Se a pessoa ainda lhe dá de presente um passo em falso, você vem com o tiro de misericórdia (não que haja alguma misericórdia nisso tudo): põe a culpa nela!!! Isso, você põe a culpa nela!!!

Outro método muito eficaz de magoar o outro é ser adepto da seita “pode até ser o melhor, mas nunca demonstre que é o suficiente”. Funciona assim, você sabe que a pessoa é boa naquilo que ela faz, naquilo que se propõe a fazer e/ou naquilo que ela é, mas, além de não admitir nada disso, critica absolutamente tudo!!! Nada nunca está bom, nada nunca ficará bom. Se a pessoa já estiver enfrentando uma situação como a descrita no parágrafo anterior, essa nova estratégia cairá como uma luva!!! O significado de “auto-estima” estará permanentemente banido do dicionário!!!

Isso nos leva a três outros trechos da música:
1) “Agora eu sei, posso te contar, não acredite se ouvir também que alguém te ama e sem você não consegue viver”. É a essa conclusão a que se chega quando se vive situações parecidas com as descritas acima.

2) “Quem vive mente mesmo sem querer, e fere o outro não pelo prazer, mas pela evidente razão: sobreviver”. Neste trecho há dois erros grosseiros, existe sim um prazer mórbido em ferir o outro, creio ser o método Pavlov para relacionamentos “vamos ver até que ponto a pessoa agüenta”. No dia em que tudo isso se volta contra você, seja lá de que forma for (isso normalmente ocorre quando a pessoa já não se reconhece mais, já não tem auto-estima – ou apresenta mero resquício), ponha a culpa na pessoa e vá espalhando isso aos poucos ou então insinue algo do gênero.

3) “Quem vê seu rosto só pensa no bem que você pode fazer a quem tiver a chance de te possuir. Mal sabe ele como é triste ter amor demais sem nada a receber, que possa compensar o que isto traz de dor”. Lembrando sempre, é claro, que “não basta à mulher de César ser honesta, ela tem de parecer honesta”. Atualmente, bastando parecer honesta já é mais que o suficiente. Assim, faça isso, pareça apenas.

É por essas e por outras (as mágoas anteriormente sorvidas) que meu sonho de consumo na adolescência era ser uma pessoa arrogante e inteligentemente má quando me tornasse adulta. Mas Deus, em Sua infinita sabedoria, e com certa dose de sadismo, resolveu me dar uma Madre Tereza pra lá de forte!

(Para quem não sabe, eu sou três: Madre Tereza, Fraulein e Andrea. Andrea é a que se magoa; Madre Tereza é a que tenta arduamente não sepultar a crença de que ainda devem existir pessoas boas no mundo, só que é difícil achá-las; Fraulein é aquela que diz “vai, sua otária, achar que todo mundo é bonzinho, que as pessoas lhe dão a importância que elas dizem dar.”).

Pode ser um pouco contraditório ter uma Fraulein tão rude e uma Madre Tereza tão doce. O fato é que elas podem ter lá suas controvérsias, mas ambas é que me deixaram de pé, que não permitiram que minha auto-estima fosse pro inferno (sim, ninguém que lhe magoe quer que a sua auto-estima vá para o céu, né?). Sim, já tive períodos de sentir falta de mim mesma, de me manter mais curvada que de pé, mas ainda estou aqui. O que me remete a um trecho de outra música: “Mas eu sei que um dia a gente aprende: se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo. Quem acredita sempre alcança”. Um dia eu vou aprender que eu só posso confiar em mim mesma, mas enquanto ainda existir alguém em quem eu confie, vou deixando para aprender essa triste lição outra hora (sim, é muito triste ver e ter a certeza de que você só pode contar consigo mesmo).

Mesmo triste, se analisarmos bem, até os religiosíssimos já descobriram isso. Como lhes soem ser, inseriram Deus no rol dos confiáveis (ainda bem tem alguém além da gente para que se possa confiar). Tem um hino cristão que diz: “E ainda se vier noite traiçoeira,se a cruz pesada for, Cristo estará contigo. E o mundo pode até fazer você chorar, mas Deus te quer sorrindo”. É, nem mesmo os cristãos andam acreditando no amor do próximo (conseguiu ler isso, Madre Tereza???).

Inté!

Ps.: O mundo não “pode até”, ele faz você chorar. (Fraulein manda lembranças).

15 maio 2006

Apocalipse

Se existisse uma Bíblia do Estado, certamente o que está ocorrendo em São Paulo seria o início do capítulo "Apocalipse". Não, caros leitores, não seria o ápice. O clímax de toda essa balbúrdia ainda está por vir, pois, como bons brasileiros que somos, assistiremos a tudo com um arremedo de indignação e, depois de iniciada a Copa do Mundo, tenderemos a colocar toda essa história, orquestrada por um bando de criminosos com a anuência das autoridades (inércia + politicagam = anuência), num local de nosso cérebro denominado "arquivo morto".

Estamos agora nos compadecendo da situação dos paulistas e paulistanos que, mais do que nunca, terão de se manter trancafiados em suas casas. Penalizar-nos-emos pelas famílias dos policiais, bombeiros e civis que foram mortos numa praça de guerra (mas como nosso país é adepto do eufemismo, do politicamente correto, "praça de guerra" receberá, convenientemente, outro nome. Pode ser "caso fortuito", "acontecimentos isolados", enfim, não faltarão termos para tentar amenizar o que está ocorrendo). Pensaremos "já foi tarde" sobre os (poucos) bandidos mortos nos confrontos. E, curiosamente, torceremos para que as rebeliões desencadeadas nos presídios recebam o mesmo fim que Carandiru (sim, aquele mesmo fim que outrora condenamos e nos revoltamos em ver o seu mandatário escapar da justiça por um tecnicismo qualquer, avalizado pelo(a) magistrado(a) designado para julgar o caso).

Quanto ao nosso verbo, nosso tão caro verbo "esquecer": iniciada a Copa, tudo isso não passará de uma esmaecida lembrança. Esqueceremos de toda a nossa revolta, de todos os mortos, de todo o medo. Olvidaremos da inércia das autoridades, principalmente do governo de São Paulo, que não aceitará ajuda alguma, pois isso representará (na cabeça doentia dos politiqueiros de plantão) uma "fraqueza política" que poderá ter reflexo nas urnas. E, com tudo convenientemente esquecido, tornaremos a dar a esses senhores e a essas senhoras a autoridade a qual nenhum deles tem competência, honra ou zelo para exercer.

Mas de todos os esquecimentos, só tem um, unzinho só, que teima em pulular na minha cabeça: onde estão os tais dos direitos humanos e as tão propaladas pastorais e demais redutos humanitários ligados às diversas igrejas???

De tudo isso, chego apenas a uma conclusão: não, não somos cidadãos. Não cobramos nada das autoridades. Permitimos que todos eles vilipendiem, dilapidem o nosso patrimônio. Deixamos todos eles pisarem em nossa dignidade. Trocamos nossos votos por promessas vãs e não cobramos essas promessas. Pagamos todas as propinas necessárias para vermos nossos interesses atendidos e, por conseguinte, achamos normal os políticos roubarem ("político é tudo corrupto". "Todo mundo que entra na política vira ladrão", etc.). Em vez de irmos aos "poderosos" deixar clara a nossa indignação, expomô-la aos servidores públicos que nos atendem e não podem mudar a situação de per si (são aqueles indivíduos que, ao se verem obrigados a cumprir uma lei da qual intimamente discordam, ouvem do atendido a máxima "sou eu quem paga o seu salário"). Enchemos de salamaleques os que elaboraram, deliberaram e votaram as leis expúrias. E achamos normal o precedente aberto por um Tribunal, a última instância do Poder Judiciário, de conceder regime de progressão de pena para praticantes de crimes hediondos. Assistimos a tudo isso com cara de paisagem e agora nos achamos no direito de sermos hipócritas ao murmurar "mas isso é um absurdo". Não, não é um absurdo, são apenas as conseqüências advindas da nossa inércia (a inércia é um perigo!).

Não sou vidente, mas me dou o direito de fazer uma previsão: caso não tomemos (sim, eu, você, o seu vizinho) uma atitude, mudemos nossa postura diante dos desmandos dos eleitos ou, pelo menos, aprendamos a votar e a cobrar dos votados, tudo o que está ocorrendo parecerá jardim da infância perto do que virá.

Até a próxima.

05 maio 2006

Yes, nós temos bananas!!!

... ou você ainda tem alguma dúvida depois do episódio "baixemos as calças para a Bolívia"???

24 abril 2006

Sem idéias, mas...

Estou com muita vontade de escrever, mas sem a menor idéia sobre o que escrever. Assim, vamos dar um tom de "diário" a este blog.

"Querido diário,

Semana passada foi fogo!!! Graças a duas coisinhas lindas dadas pela UDF, minha maravilhosa faculdade (é, aquela em que as coisas que ainda funcionam direito são a Tesouraria e algumas aulas presenciais).
Primeiro foi a entrega das provas de uma matéria lá. Fui perguntar ao professor qual o critério de avaliação dele, pois tinha gastado três dias num trabalho que valia 4 pontos e acabei tirando 3. Queria realmente saber o que faltou, para que pudesse fazer melhor os próximos trabalhos. Eis o diálogo:
- Professor, o que faltou no meu trabalho? Qual foi o critério que o senhor usou para a correção?
- Olha, não foi você quem escreveu isso aqui não.
- Ué, como o senhor pode saber se fui eu ou não que escrevi o trabalho se o senhor nunca corrigiu um trabalho meu?
- Ah, porque você não fala assim
(É, diário, bem se vê que ele matou as aulas de "tipos e níveis de linguagem". Aliás, do jeito que ele fala, parece ter saído de uma tribo).
- Sim, e qual foi o critério? Porque você pode até não gostar do jeito que eu escrevo (é, ele disse isso, vai ver porque teve de tirar o pó daquele livrinho "Dicionário" para entender o que eu supostamente não escrevi), mas se eu tiver dito tudo o que foi pedido, o senhor não pode me tirar pontos.
- É um critério muito pessoal, muito subjetivo.
- Não, professor, o senhor não tem parâmetros para a correção. Na verdade, o seu critério é muito esotérico. O senhor deveria ter feito Astrologia e não... (vamos guardar a intimidade do rapaz, né?). Se eu fosse o senhor, abriria uma tenda mística na W3 (avenida conhecida aqui em Brasília). A D. Dayane tá rachando de ganhar dinheiro lendo bola de cristal!!!
Saí da sala, fula da vida (óbvio). Não me dei conta de que tínhamos ouvintes. O bom é que não sou mais conhecida por ter tirado nota boa em ....., mas por ter mandado o professor da outra matéria fazer Astrologia.

O outro ponto foi que a UDF inovou no quesito "crime de plágio". Explico, diário, finalmente saiu a pitomba da resposta da faculdade à reclamação que fiz (leitor, ver alguns posts abaixo). Acredita que a desculpa para o plágio foi que a professora "esqueceu" de colocar as aspas e de fazer a devida referência bibliográfica??? Dá vontade de entrar com um recurso pedindo encarecidamente para que eles apontem onde começariam e onde terminariam as aspas, pois suspeito que começariam no primeiro parágrafo da página 1 e iriam até o último parágrafo da página 8, sendo que o texto tem 10 páginas.

Se algum aluno da UDF resolver "importar" monografias da internet, esquecendo (of course) de inserir as aspas e de fazer a referência bibliográfica, e for acusado de plágio, pode me contatar, eu faço questão de passar uma cópia da tal resposta.

Pensei em deixar o Ministério Público e o MEC resolverem sobre essa inovação. Cogitei até mesmo a hipótese de informar à autora do livro (em que pese ser um livro horrível) sobre o ocorrido. Só que comecei a ver que a única interessada nisso sou eu. Então combinaremos assim: a UDF finge que ensinou Direito Romano, eu compro uns livros sobre o assunto e estudo, e os outros alunos (que não estão nem aí pra hora do Brasil) ficam com os conceitos errados (inclusive o de plágio).

Falando em conceitos errados, para a professora esquecida (tô começando a ficar com dó da moça) personalidade e capacidade jurídicas são a mesma coisa!!! Questionei um conceito que ela dava como sendo de capacidade e, na verdade, era de personalidade. Ela se defendeu dizendo que não havia um consenso entre os autores. O curioso é que TODOS os autores relacionados na bibliografia são unânimes em dizer que "nascimento com vida, viabilidade fetal e forma humana", no Direito Romano, são requisitos de personalidade. E a faculdade aceitou!!! Juro!!! Não é brincadeira não!!!

Bem, diário, agora é fazer novena para que eu não pegue a "autora" da apostila como professora para as próximas matérias."

Vou dar uma de alta executiva. Anote aí, Andrea:
1 - escrever textos no estilo "Ivo viu a uva" para o Pai (ops!) Professor F. Afinal, minha filha, essa coisa de linguagem culta, linguagem coloquial só presta para fundir a cuca dos alunos do ensino médio. Tá pensando que só porque fez Letras tem o direito de usar palavras ou expressões difíceis como "para este mister"????
2 - Se algum dia você resolver plagiar o trabalho de alguém, basta dizer que esqueceu de fazer as devidas anotações indicativas de que aquele texto não era seu.
3 - Jogar as normas da ABNT no lixo. Elas não vão te servir de muita coisa.
4 - Veja se enfia na sua cabeça que tentar ajudar a sua faculdade a ser uma faculdade melhor não é de sua alçada.

Ah, mais uma vez: falando em "faculdade melhor", uma aulinha básica de marketing. A UDF teve o desplante de colocar no mural que foi a 3ª melhor colocada no exame da Ordem em Brasília. Claro que colocaram que foi a terceira na PRIMEIRA fase (escreveram "primeira fase" numa fonte bem menor e com um azul desbotado), pois, no geral, ficou em último. Sim, caros leitores, ficou em ÚLTIMO lugar!!! Aí era um tal de alunos orgulhosos espalhando aos quatro ventos que a faculdade onde eles (e eu) estudam só perdeu para a UnB e para o Ceub. É, foi difícil acabar com as ilusões alheias e ter de dizer a verdade: ficamos em último, atrás das faculdades novas e juntinhos com as ruins. É, mas o que esperar de uma instituição em que a consultoria jurídica é formada por especialistas em desculpas esfarrapadas??? (ou vocês acreditam mesmo na historinha do "ih, esqueci... tinha mesmo de pôr aspas e o nome do livro???". Em qualquer lugar mais sério, "demissão" seria uma palavra a ser considerada).

Por que não saio da faculdade??? É como disse lá em cima, os professores das aulas presenciais (tirando o Pai F.) ainda fazem valer a pena. Em dois semestres, tive 10 professores, só um me tirou a vontade de continuar lá (não estou considerando os tutores do (des)ensino virtual ou os "elaboradores" das apostilas desse (des)ensino). Piorando a coisa, saio sem nem olhar para trás.

É isso aí.

Até a próxima!!!

10 abril 2006

Se Glória Khalil pode, por que eu não posso?

Tá bem, tá bem, eu sei que este é o assunto do momento: Suzane Von Richthofen deu uma entrevista ao Fantástico. Até aí, tudo normal (se é que se pode ser considerado normal uma assassina dessas estar fora da cadeia). Se revelar uma atriz de quinta, na pele de “coitadinha de mim, fui ‘maria-vai-com-as-outras e a culpa é do meu ex-namoradinho”, tudo bem também. Agora o que é inaceitável é o idiota do advogado orientar a sua cliente na presença da repórter. Não feliz com essa espantosa burrice, ele a instrui em frente às câmeras e com o microfone devidamente instalado na lapela da fulana (a fulana assassina)!!!

É como eu disse no post abaixo: se as pessoas atentassem para os fatos da vida, não cometeriam tantas asneiras. P. ex. falar demais em presença de repórter já derrubou um Ministro da Fazenda (não, não foi o Palocci, foi o Rubens Ricupero, lembram dele?).

E quando ela tentou comer (ops!) exibir seus bichinhos de estimação??? Tão meigo!!! Ah, vocês viram que fofo a Suzane de camiseta de babadinho, com estampa da Minnie e o cabelo cheio de pirainhas de borboleta? Mas de onde ela tirou aquela franja grotesca??? Será que nas penitenciárias femininas não tem um livro estilo “Guia de Etiqueta para entrevistas de presidiárias”??? Ah não??? Não seja por isso, vou lançar aqui um pedacinho do Guia (isso vai proteger sua aparência de advogados que querem lançar você como o “Tonho da Lua” de saias):

1) Para moçoilas abaixo dos 25 anos ou que aparentam ter abaixo dessa idade: sim, vestir-se como uma donzela dá certo. Estampas florais, cabelos presos no estilo “princesinha da mamãe” (ops, você matou a mamãe? Então estilo “princesinha da titia”. Hum, também matou a titia??? Tá bem, estilo “princesinha da Carlão, da Luanão, ou outra ‘ão’ que lhe tenha sido apresentada na cadeia”). Mas lembre-se: use COMEDIDAMENTE e harmoniosamente esses ingredientes. Não me apareça de pantufa (isso é pra lá de brega), estampas com motivos excessivamente infantis também são o off da moda pós-penitenciária.
Outra coisa altamente in são os vestidinhos leves e saias (minissaia não vai agradar. Se você insistir em usá-las, aquele “quase-matcho” que está te esperando na cela vai se recordar dela). Não use jeans. Tenha sempre em mente que você tem de passar uma imagem de inocente (mesmo que aquele promotorzinho consiga provar o contrário no tribunal do júri).

2) As unhas não precisam lembrar a garra daquela sapata sem-vergonha que te encheu de pancada no presídio, mas também não podem ser decoradinhas com florzinhas, borboletinhas, etczinhas. Tente mantê-las ao menos limpas. Se possível deixe um tiquinho só para você fingir que as está roendo (pelo amor de Santa Carochinha do Pau Oco, é pra FINGIR, não vá achar que a sua unha se assemelha a chocolate suíço, ta???).

3) Maquiagem beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem leve (isso, fofa, deixe o visual “dragqueen de cadeia adentro” para os festivais de beleza penitenciária. Lá sim, você pode parecer uma messalina – já vai estar presa mesmo. Aqui fora você tem de se assemelhar à Judy Garland em “O Mágico de Oz”). Batom vermelho NEM PENSAR!!!! Use aquele rosinha bebê ou um gloss cor de boca.

4) Tenha postura!!! Não é porque você matou metade de sua família que você tem que andar parecendo o corcunda de Notre-Dame. Barriga pra dentro, peito pra fora!!!

5) Modos são muito bem vindos! Seja, ao menos uma vez na vida, a Cinderela ou a Branca de Neve. Deixe para ser a Pol Pot de saias no aconchego do seu lar (ou da sua cela).

6) Por favor!!! Mongolice só vai servir para fazer você passar uma temporada em algum hospital psiquiátrico. Isso não convence mais ninguém. “Tonho da Lua” era um personagem chatíssimo de novela, não combina com você.

7) Tente não exibir seu advogado, principalmente se eles forem três coisinhas feias e velhas que não atraem os olhares de ninguém. Primeiro porque o público já detesta advogado (você também os detestava, antes de precisar de um). Segundo porque eles não vão querer aparecer mais que você e, para isso, não se furtam (opa!) a dizer uma série de asneiras que possam comprometê-la.

And last, but not least!!!

8) Freqüente, darling, as aulas de interpretação que são dadas na cadeia! Creia-me, um dia você precisará delas. Se possível, leve seus “adevogados” para participar (antes que a OAB proponha a cassação do registro deles). Ah, se quiser chorar para as câmeras, um truquezinho infalível: é só lembrar da herança que você perdeu.

Aos “adevogados”: treinem bem, mas muito bem, seus novos bichinhos de estimação (é, afinal, defender alguém que tem mais de R$ 1.000.000,00 em herança a receber, dependendo da sentença, é pra tratar melhor que a Lulu da sua mulher). Sua imagem perante a “crasse” dependerá disso.

Até a próxima!!!

30 março 2006

E com a ajuda da política, escrevo.

Tô com uma tremeeeeeeeeeeeeeeeeeeeenda vontade de escrever, mas estou tão cansada que nem tenho assunto. Ah, por que me cansei??? Resolvi encarar um trabalhinho sobre “a expansão territorial e a evolução política brasileira”. Não era obrigada a fazer o trabalho, mas resolvi pesquisar. Lá pelas tantas, já estava de saco cheio, por pouco não escrevo: “olha, evolução política não houve nenhuma. Pra dizer a verdade o retrocesso está tamanho que aguardo ansiosamente a ascensão de Pôncio Pilatos ao poder, porque lavar as mãos é com ele mesmo (e só assim alguma coisa será lavada neste paisinho de m***)”. Mas não, não escrevi.

Falando nisso: Diogo Mainardi deve estar fulo com a concorrência. Explico: nunca, nos meus parcos 30 anos, vi um jornalista fazer a asneira de despencar o Ministro que assessora. Como nesta republiqueta tudo é possível, Marcelo Netto, ex-assessor de imprensa do Palocci, foi quem, segundo as más línguas, fez vazar o sigilo bancário do caseiro olhudo.

O curioso é que a queda era evitável se fosse observada pelo menos uma destas atitudes.
1) Quem tem ou teve empregada sabe bem como é. Quem algum dia já se dignou a conversar com uma delas sabe como é. Mas o “ó do borogodó” mesmo é ouvir duas ou várias delas conversando: quando o assunto não é o KLB, com certeza é o que acontece na casa do patrão. Neste quesito, rola desde a calcinha furada da patroa até a aquisição do último carro, com direito a detalhes da negociação: se foi à vista, se teve de vender a mãe na feira, se vai ser parcelado em milhões de vezes, etc. Imagino até o diálogo:

- Pois é, Luzejane, você não há de ver que o seu Wirsu trocô di carro di novu??? Mas dessa veiz ele dividiu em 18 prestação no crediário.
- Mas Lucicreide, como ele comprou outro carro si as carcinha da muié dele anda tudu furada? Você mesma falou que as suas tava mais nova que as da D. Marta e que lá o armoço é arroz com ovo e a janta é farinha com água!!!

- Ah, mas seu Wirsu qué botá banca pros vizinhu, né?

.... e por aí vai (querido leitor, os nomes e as personagens do diálogo acima são fictícios. Juro!!!)

Voltando à pauta: será que passou pela cabeça do Palocci que ele não seria reconhecido pelo caseiro? Ou que o Francenildo representaria com perfeição aqueles três macaquinhos (não ouço, não vejo e não falo)? Bastava o ex-ministro ter lembrado que o Collor caiu graças a um motorista.


2) Não é pecado nem crime o Ministro da Fazenda quebrar o sigilo bancário de qualquer cidadão, desde que o faça motivadamente e NÃO DIVULGUE. Tá certo que ele quer afastar o cálice do “fui eu que mandei”, mas há certos atos que não precisam de comprovação. É igual a tiroteio na favela, ninguém sabe, ninguém viu; mas todo mundo sabe e todo mundo viu, só que ninguém quer contar para não sofrer as conseqüências.

Dessa balbúrdia toda, muitos foram os que viram o seguinte recado “não falem mal do governo, principalmente a alguma CPI. A não ser, é claro, que você não tenha problemas com a Receita” (um adendozinho: o sigilo fiscal também foi quebrado). É, e pensar que já houve presidente que defendia a tese do “falem mal, mas falem de mim”.

Olha, pior que isso, só discurso de sindicalista.

Ah, chega de política!!!

E chega de post também (yeah, estou mal humorada e extremamente ácida).

Até a próxima.

19 março 2006

Botando o papo em dia e coisas que só a UDF não faz por você

Ontem encontrei uma caixa com fotografias antiqüíssimas e, claro, dei aquela xeretada. Vi fotos de meus pais quando ainda nem rugas (ou filhos) tinham, meus avós noviiiiiiiiiiinhos, minha mãe com meus avós e minha tia num restaurante (mamy exibindo lindamente um penteado a la década de 60)... enfim, revivi histórias minhas e alheias. Bem, minhas fotos da pré-adolescência e adolescência são de lascar (putz, como eu era feia!!!! Sim, dei uma melhoradinha). Independente disso, fiquei imaginando: “se a Andrea de 30 pudesse conversar com a Andrea de 15, o que ela diria???” . Taí um dos motes deste post (que promete ser gigantesco e não girar em torno de um assunto só).

Assim, fazendo de conta que uma Andrea conseguiu conversar com a outra, imaginei logo um monólogo da mocinha de 30. Os comentários e afirmações serão respondidas com expressões faciais da menina de 15.

“- Nem pense muito nos seus 20 anos, eles serão muito próximos do que você é agora. Aliás, presumo que você, aos 50, será a mesma de hoje. A diferença é que aprenderá a fazer uma limonada do limão que a vida te der (filhinha, é piegas, mas é fato!).

- Aquilo que lhe fortalece sempre não será perdido, apesar de você achar que lhe enfraquece. Você vai descobrir que não é assim. Será uma pessoa muito melhor e menos confusa do que é agora. Vai cantar muiiiiiiiiiiiiiito “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima” ou “começar de novo, e contar comigo, vai valer a pena ter amanhecido” e outras que você canta quando leva uma tremenda rasteira. Ah, vai descobrir outras músicas nesse sentido também.

- Não, você não conseguirá ser fria, má e calculista, mas isso não lhe impedirá de conhecer dezenas de pessoas assim. Uma delas você chamará de sogra (aliás, o carma “sogra” vai te acompanhar pra vida inteira, elas realmente são tristes). Sua primeira sogra também terá uma família muito semelhante a ela, mas como você é vítima em potencial da Lei de Murphy, adivinhe qual será a pior deles??? E, segundo o Direito, sogra de casamento de papel passado é pra vida inteira, nem o divórcio acaba com esse parentesco (ou tortura, no seu caso).
(Um adendozinho, se essa tal família for fazer um churrasquinho no Instituto Butantã, as cobras pedirão asilo político no Iraque. Sim, há as exceções que confirmam a regra – da família, não das cobras.)

- Não, você não será essa coisinha horrorosa a vida inteira. Vai dar uma melhorada significativa depois dos 18 anos. Ah, você e seu cabelo (tão carinhosamente apelidado de “juba”) entrarão num período de relativa paz depois dos 29 anos. É quando você vai descobrir a escova fotônica e a reconstrutora, que alisarão as madeixas.

- Levando-se em conta a sua melhora na aparência - melhora natural, diga-se de passagem (daqui uns anos, cirurgia plástica vai ser igual a cosmético de supermercado. Todo mundo vai ter uma) – algumas pessoas achar-lhe-ão bonita!!! (Essa cara é por conta da mesóclise ou da descrença???? Ah, sim, você vai ser formar em Letras, mas não se preocupe, fará outra faculdade. E sim, querida, essa também será a cara que você fará quando lhe disserem “você é bonita”. É algo em que você nunca vai acreditar.)

- Sobre as tais faculdades e estudos em geral. Você não vai ser essa bagunceira a vida inteira. Seus dias de fundão terminarão ao final do 2º grau. Na faculdade você será uma “nerd”. Em Letras, aceitará médias 8,0; em Direito, algo abaixo de 9,0 ensejará distúrbios mentais (sim, você continuará se chamando de “anta”, “asno” e outras coisinhas lindas quando errar algo que você julgava impossível ou inaceitável errar.)

- Você terá um filho lindo. E lindo do jeito que você quer: lindo na aparência e mais lindo ainda no coração. Sim, você terá muita “culpa” por ele ser assim, pois passará seus valores (Isso!!! Aqueles que você quer mandar para as cucuias e que lhe impedem de ser uma Lex Luthor – versão saias e mais inteligente. Mas não fique aborrecida, garota, Deus é tão bom que vai lhe presentear com a Fraulein. Tá certo que a pobrezinha da Fraulein vai perder de goleada pra Madre Teresa que vive em você, mas você conseguirá ouvir algo como “eu não falei?”, com um leve sotaque alemão, toda vez que você não der ouvidos à sua governanta.

- Você não levará mais desaforos para casa a partir dos 17 anos. Com a maturação que a idade vai lhe dar, começará fazendo inveja a Mike Tyson, mas depois optará pelo cinismo, e mais tarde pelo mantra “e por acaso vale a pena perder tempo com isso?”. Bem, na idade em que eu estou, você já está chegando a sentir pena da outra pessoa (no melhor estilo “perdoe, ele(a) não sabe o que faz”). Não se acanhe, vez por outra seu lado Cassius Clay vez por outra dará as caras. Ah, muitos serão os que vão dizer “quero morrer seu amigo”.

- Amigos você terá poucos, mas suas amizades serão bastante sólidas. Você será relativamente anti-social. Sinceramente não sei se você terá inimigos. Você realmente não perde seu tempo com eles e isso, aliado à sua falta de memória, fará com que você nem se lembre da existência deles. Sim, querida, você continuará atraindo invejosos de plantão e continuará sem saber por que diabos esse povo perde o tempo deles tendo inveja de você, logo de você.

- Yeap, sua memória continuará lhe pregando peças. Isso será ótimo! As pessoas poderão contar-lhe a mesma história duas, três, quatro, infinitas vezes, que a sua reação de ineditismo será a mesma (o curioso é que até suas opiniões e expressões serão as mesmas também).

- Você continuará romântica, mas uma romântica mais pragmática. As pessoas continuarão valendo mais pelo que são (e não pelo que elas têm). Convém advertir que você se sentirá meio ilhada, pois a cada dia mais vale (para os outros, fofinha) o que se tem que aquilo que se é (isso vai te deixar enojada!).

- As pessoas confiarão em você, até mesmo pessoas que você nunca viu na vida. E toda vez você vai pensar “Nossa!!! O que foi que eu fiz pra merecer tamanha confiança? Ah, já que ganhei, não quero perder por nada nesse mundo”. Aí o segredo da pessoa estará mais bem guardado ainda. Você, até os 30 anos, ganhará dois amigões por conta dessa confiança.

- Você continuará confiando em Deus. Mas não, não será evangélica (eles se disseminarão iguais a coelhos. Em cada esquina haverá uma igreja evangélica que em nada lembrarão as que você já ouviu falar.). Ah, você será espírita (mas disso você já sabe. É bom dizer sempre “espírita kardecista”, pois o politicamente correto – outra praga do futuro – também chamará de “espírita” os atuais “macumbeiros”).

- Você continuará se revoltando contra injustiças (desde as mais simples – se é que existe injustiça simples – até as mais complexas). Sim, você também lutará contra moinhos de vento (aproveita a deixa e dá uma ajudinha pra ver se você acaba com isso, ta? Tem horas que enche a paciência!!!).

- Você continuará sendo reconhecida como a garota Danoninho (“como ela é inteligente”). (Ao leitor, aos quinze, os únicos elogios que me davam eram restritos à inteligência ou à simpatia). Er... você não será tão simpática com todos (mas continuará sendo um doce com quem você achar que merece. Os outros, bem... sabe amnésia??? Pois é, você vai esquecer a existência deles!).


Ah, acho que ainda falaria muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiita coisa, o problema é que se isso realmente acontecesse, a Andrea de 15 anos precisaria de terapia.

Então, mudando de assunto:

Não sou mais a mesma. Não tenho mais juízo algum, Todos eles foram extraídos numa tarde (e eu agora estou há 5 dias sem saber o que é uma alimentação decente :oS). Sim, tirei os sisos.

Não, não é nenhum passeio no parque. Na hora não dói taaaaaaaaaaaanto por conta da anestesia, mas depois parece que você levou uma surra!!! Sem contar o inchaço que faz você se parecer irmão do Fofão (aquele bicho esquisito que fazia companhia para a Simony, na década de 80; bem, isso antes de ela preferir outras companhias, se é que vocês me entendem).

Falando sério, EU QUERO COMER!!!! Essa história de papinha, pudim e outras coisas molinhas estão me tirando do sério. E o pior não é isso, é que essas porcarias engordam!!! (Socooooooooooooooooooorro!!!!).

Paremos de falar sobre comida. Mudando novamente de assunto.

Minha cruzada anti-ensino à distância continua. Seguinte: a faculdade onde estudo resolveu adotar essa modalidade de ensino para algumas disciplinas. Só que a facul esqueceu de um detalhezinho importantíssimo: qualidade. Ou seja, fiz “Ética Geral e Cidadania” e posso dizer que não aprendi absolutamente nada, apesar de ter alcançado a média 9,2. Agora estou tentando aprender de forma autodidata “Direito Romano”.

Explico: aprender de forma autodidata quer dizer que tenho de ler outros livros, buscar de outras fontes, porque o texto utilizado está cheeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeio de erros de conceito, além de ser um plágio de um livrinho vagabuuuuuuuuuuundo (adivinhem qual??? Se você respondeu “História do Direito – Geral e Brasil”, da Flávia Lages de Castro – aquele que eu critiquei há alguns posts - VOCÊ ACERTOU!!!). Entrei com um requerimento na faculdade e estou esperando (sentada) pela resposta. O pequenino detalhe é que, se eles resolverem curtir com a minha cara, eu vou apresentar o requerimento que protocolei lá no Ministério Público e no Ministério da Educação. Tenho cópia autenticada (por eles) de todos os documentos que apresentei (yeah, dogão é mau!!!). Ah, tá aqui o link da crítica: http://pensamentossimples.blogspot.com/2006/02/como-transformar-uma-excelente-idia.html

Outro pequenino detalhe: a UDF resolveu colocar como Coordenadora do Centro Tecnológico de Estudo uma pessoa que, assumidamente, não sabe lhufas de informática. Quando ela me disse isso, minha perguntinha retórica foi: “ué, mas aqui não é o CENTRO DE TECNOLOGIA da faculdade?????” . Bem, da informação da “senhoura”, fui me levantando, enquanto ela tentava balbuciar alguma justificativa. Preciso dizer que saí sem ouvir a resposta??? Quer dizer, qualquer problema no Portal, tem de se contatar a empresa contratada lá em Curitiba (é, não bastasse a incompetência em se fazer o próprio texto ou, pelo menos, plagiar de um livro decente, há ainda o cúmulo da falta de senso pragmático em se contratar uma empresa local ou não tão distante).

Olha, se as aulas presenciais não fossem tão boas, eu sairia da faculdade.

Ah, outra coisa que me espanta naquela faculdade é a INUTILIDADE do DCE. Eles até tentaram fazer uma manifestaçãozinha por conta de mensalidade, ensino semi-presencial, etc. Mas, como bons sindicalistas que prometem ser, resolveram invadir as salas de aula. Em resumo, tinham tudo pra forçar um acordo ou algo que o valha, mas jogaram tudo por terra porque não têm uma cabeça pensante no meio deles. Taí o motivo pelo qual não passei meu requerimento ao DCE.

Nossa!!!! Tá muito longo este post, mas ainda cabe um espacinho para uma última noticinha: mudei meu estado civil.

Até a próxima!!!

Ps.: Você está esperando saber quais foram as novidades ruins das minhas férias??? Elas estão diluídas no post. Leia com “olhos de ver”. Bjus!!!

17 fevereiro 2006

Sumida, mas nem tanto...

Queridos e lindos leitores,

Vou ficar um tempinho sem postar porque estou desmicrada. Mas não se preocupem, já estou providenciando meu retorno.

Até a próxima (que espero não demorar tanto)!!!

02 fevereiro 2006

Como transformar uma excelente idéia num péssimo livro

Queridos leitores, estou de volta (melhor, estou voltando aos poucos). Venho com algumas novidadinhas ruins, mas novidades. Depois posto sobre elas. Só pra adiantar um pouquinho: minhas férias foram uma meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeerda, daquelas de dar inveja a qualquer lacto-purga.

Enquanto não sacio a curiosidade de vocês, vou postar algo que escrevi num dia em que minhas ferias juravam de pés juntinhos que iam ser ótimas.

Meu projeto de férias está sendo uma maravilha, descobri que não consigo viver sem meus dois vícios: ler e escrever. Prova disso é que este post é uma transcrição do que manuscrevi num caderno (caderno este devidamente comprado logo no início de minhas pretensas férias).

Finalmente terminei de ler "A cidade antiga". Minha árdua e acirrada disputa contra a "fantástica" edição da Editora Hemus finalmente chegou ao fim. O conteúdo é bom, muito bom (recomendo para quem gosta de história e/ou de direito, pois Fustel de Coulanges descreve a pré-história das cidades - para dizer o mínimo).

Dando continuidade ao sustendo de meu vício, já comecei a ler "História do Direito - Geral e Brasil", de Flávia Lages de Castro*. Sabe um livro que tinha tudo para ser excelente, mas a completa falta de zelo e de cuidado o tornam sofrível? Este é o caso. A idéia de se traçar um panorama da história do Direito, começando pelo Direito dos povos ágrafos, passando por Roma, Grécia, Islã, Germânia, etc. e chegando ao Brasil, é louvável, mas...

"Revisão de texto" foi algo que passou looooooooooooooooooooonge do livrinho. Construções frasais horrorosas e erros de ortografia são uma constante. Um exemplo: "Quando um vassalo (...) desejava deixar claro o rompimento unilateral do contrato ele o fazia de acordo com o desafio, que poderia ser simplesmente atirar uma flexa ou um luva em direçõ ao senhor (não para acertá-lo)" (p. 125). Não vou nem discutir a construção do período, mas, peraí, flexa? Dá ou não dá vontade de mandar escrever 20 vezes "FLECHA"???

Pensam que acabou? Não mesmo! Divertida a coisa fica quando percebemos a reconstrução indevida de alguns períodos da História:

1) "Entre os reis da Dinastia Tudor, Henrique VII teve papel preponderante pois, como fundador da Igreja Anglicana (...)" (p. 189). Ué, não foi o Henrique VIII? Tá, até acreditei que pudesse ser um erro de digitação (algo facilmente "resolvível" com uma revisãozinha básica). A crença durou dois parágrafos.

2) Após os tais dois parágrafos, li algo de fazer corar a atual corte inglesa: "Com a morte de Elizabeth, foi entronado seu filho Jaime I (...)" (p.189). Putz! Onde foi que essa mulher leu isso? Tá doida? Elizabeth I não deixou herdeiros, sequer se casou! Ficou conhecida pela alcunha de "A Rainha Virgem"!!! (Depois dessa, os ossinhos da monarca não serão mais os mesmos!!!!)

3) "Locke, filósofo inglês (...) dava os primeiros passos em direção ao contrato social" (p. 206 - nota de rodapé). Depois de ler isso, pensei em jogar minhas aulinhas de Ciências Políticas no lixão (isso se a minha professora não fosse um ás no assunto. Valeu, Dra Ana Maria Schiavinato!!!). Primeiros passos??? E o coitado do Hobbes, primeiro contratualista de que se tem notícia (há quem defenda que Aristóteles também foi contratualista)??? O que aconteceu??? Foi lançado impiedosamente ao fogo do inferno ou do ostracismo??? Hobbes, pelo menos 50 anos antes de Locke, inovou ao dizer que, por meio de um contrato social, o homem sai do estado de ntureza e funda o Estado de Sociedade Civil. Será que ela acha que só porque Hobbes resolveu dar o título de "Leviatã" ao seu livro, em vez de "Contrato Social" (como Rousseau), ele não é um contratualista???

A resposta é não? Como eu sei que a resposta é não? Ora, porque a própria autora se contradiz (na mesma página!!!): "Afirmando que a responta para o porquê do indivíduo renunciar a certos direitos em nome da vida social era uma criação artificial, através de um pacto social, um contrato (Como Hobbes um século antes do Iluminismo)". Well, os ossinhos de Hobbes precisarão de terapia além-túmulo.

Mas a cereja do bolo não são esses impropérios. O melhor mesmo é o prefácio em que uma pós-doutora em História (isso mesmo: H-I-S-T-Ó-R-I-A!!!!) se rasga em elogios à obra e à autora. Ou eu e a doutora em História pela USP e pós-doutora em História Social pela UFRJ, Dra. Marilda Corrêa Ciribelli, não lemos o mesmo livrou ou eu li e ela não. (Ah, em tempo, Flávia Lages de Castro, autora do, digamos, "livro" é mestre em História Social pela Universidade Severino Sombra - RJ.)

Até a próxima.

Ps.: Escrever dói a mão. Digitar é muito melhor!
Ps2: Falando em ossinhos, Maquiavel precisará de tratamento com eletrochoque na vida pós-sepultura. É que Paulo Coelho disse que vai adaptar "O Príncipe" para que se torne mais compreensível aos brasileiros. Impressão minha ou o PC chamou seus compatriotas de burros???
Ps3: Não consegui terminar de ler o livro. Também, pudera né?

* CASTRO, Flávia Lages de. HISTÓRIA DO DIREITO - GERAL E BRASIL. Editora Lumen Juris. Rio de Janeiro: 2004