17 fevereiro 2006

Sumida, mas nem tanto...

Queridos e lindos leitores,

Vou ficar um tempinho sem postar porque estou desmicrada. Mas não se preocupem, já estou providenciando meu retorno.

Até a próxima (que espero não demorar tanto)!!!

02 fevereiro 2006

Como transformar uma excelente idéia num péssimo livro

Queridos leitores, estou de volta (melhor, estou voltando aos poucos). Venho com algumas novidadinhas ruins, mas novidades. Depois posto sobre elas. Só pra adiantar um pouquinho: minhas férias foram uma meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeerda, daquelas de dar inveja a qualquer lacto-purga.

Enquanto não sacio a curiosidade de vocês, vou postar algo que escrevi num dia em que minhas ferias juravam de pés juntinhos que iam ser ótimas.

Meu projeto de férias está sendo uma maravilha, descobri que não consigo viver sem meus dois vícios: ler e escrever. Prova disso é que este post é uma transcrição do que manuscrevi num caderno (caderno este devidamente comprado logo no início de minhas pretensas férias).

Finalmente terminei de ler "A cidade antiga". Minha árdua e acirrada disputa contra a "fantástica" edição da Editora Hemus finalmente chegou ao fim. O conteúdo é bom, muito bom (recomendo para quem gosta de história e/ou de direito, pois Fustel de Coulanges descreve a pré-história das cidades - para dizer o mínimo).

Dando continuidade ao sustendo de meu vício, já comecei a ler "História do Direito - Geral e Brasil", de Flávia Lages de Castro*. Sabe um livro que tinha tudo para ser excelente, mas a completa falta de zelo e de cuidado o tornam sofrível? Este é o caso. A idéia de se traçar um panorama da história do Direito, começando pelo Direito dos povos ágrafos, passando por Roma, Grécia, Islã, Germânia, etc. e chegando ao Brasil, é louvável, mas...

"Revisão de texto" foi algo que passou looooooooooooooooooooonge do livrinho. Construções frasais horrorosas e erros de ortografia são uma constante. Um exemplo: "Quando um vassalo (...) desejava deixar claro o rompimento unilateral do contrato ele o fazia de acordo com o desafio, que poderia ser simplesmente atirar uma flexa ou um luva em direçõ ao senhor (não para acertá-lo)" (p. 125). Não vou nem discutir a construção do período, mas, peraí, flexa? Dá ou não dá vontade de mandar escrever 20 vezes "FLECHA"???

Pensam que acabou? Não mesmo! Divertida a coisa fica quando percebemos a reconstrução indevida de alguns períodos da História:

1) "Entre os reis da Dinastia Tudor, Henrique VII teve papel preponderante pois, como fundador da Igreja Anglicana (...)" (p. 189). Ué, não foi o Henrique VIII? Tá, até acreditei que pudesse ser um erro de digitação (algo facilmente "resolvível" com uma revisãozinha básica). A crença durou dois parágrafos.

2) Após os tais dois parágrafos, li algo de fazer corar a atual corte inglesa: "Com a morte de Elizabeth, foi entronado seu filho Jaime I (...)" (p.189). Putz! Onde foi que essa mulher leu isso? Tá doida? Elizabeth I não deixou herdeiros, sequer se casou! Ficou conhecida pela alcunha de "A Rainha Virgem"!!! (Depois dessa, os ossinhos da monarca não serão mais os mesmos!!!!)

3) "Locke, filósofo inglês (...) dava os primeiros passos em direção ao contrato social" (p. 206 - nota de rodapé). Depois de ler isso, pensei em jogar minhas aulinhas de Ciências Políticas no lixão (isso se a minha professora não fosse um ás no assunto. Valeu, Dra Ana Maria Schiavinato!!!). Primeiros passos??? E o coitado do Hobbes, primeiro contratualista de que se tem notícia (há quem defenda que Aristóteles também foi contratualista)??? O que aconteceu??? Foi lançado impiedosamente ao fogo do inferno ou do ostracismo??? Hobbes, pelo menos 50 anos antes de Locke, inovou ao dizer que, por meio de um contrato social, o homem sai do estado de ntureza e funda o Estado de Sociedade Civil. Será que ela acha que só porque Hobbes resolveu dar o título de "Leviatã" ao seu livro, em vez de "Contrato Social" (como Rousseau), ele não é um contratualista???

A resposta é não? Como eu sei que a resposta é não? Ora, porque a própria autora se contradiz (na mesma página!!!): "Afirmando que a responta para o porquê do indivíduo renunciar a certos direitos em nome da vida social era uma criação artificial, através de um pacto social, um contrato (Como Hobbes um século antes do Iluminismo)". Well, os ossinhos de Hobbes precisarão de terapia além-túmulo.

Mas a cereja do bolo não são esses impropérios. O melhor mesmo é o prefácio em que uma pós-doutora em História (isso mesmo: H-I-S-T-Ó-R-I-A!!!!) se rasga em elogios à obra e à autora. Ou eu e a doutora em História pela USP e pós-doutora em História Social pela UFRJ, Dra. Marilda Corrêa Ciribelli, não lemos o mesmo livrou ou eu li e ela não. (Ah, em tempo, Flávia Lages de Castro, autora do, digamos, "livro" é mestre em História Social pela Universidade Severino Sombra - RJ.)

Até a próxima.

Ps.: Escrever dói a mão. Digitar é muito melhor!
Ps2: Falando em ossinhos, Maquiavel precisará de tratamento com eletrochoque na vida pós-sepultura. É que Paulo Coelho disse que vai adaptar "O Príncipe" para que se torne mais compreensível aos brasileiros. Impressão minha ou o PC chamou seus compatriotas de burros???
Ps3: Não consegui terminar de ler o livro. Também, pudera né?

* CASTRO, Flávia Lages de. HISTÓRIA DO DIREITO - GERAL E BRASIL. Editora Lumen Juris. Rio de Janeiro: 2004