25 janeiro 2007

"Querido diário"

Depois de alguns séculos, fui ao teatro (fui sob protestos do meu filho, pois estávamos no meio de um campeonato de futebol de botão em que Argentina e Brasil empatavam em 1 x 1. Um doce pra quem adivinhar quem era a Argentina... o que a gente não faz por um filho, não é mesmo???). Assisti à peça “Renato Russo”, um monólogo brilhantemente interpretado por Bruce Gomlevsky (apesar do nome, o sujeito me pareceu bem brasileiro). Ah, está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil aqui em Brasília. Vale realmente a pena ir.

Como já dá pra desconfiar, a peça trata da vida de Renato Russo, um dos ícones da minha geração. Mas o legal não é falar da peça em si, e sim do que deu graça ao espetáculo. Por exemplo, o gelo seco estava na promoção e o teatro não se fez de rogado, usou e abusou do artifício. Não sei bem qual foi a intenção, mas parecia uma sauna de tanto vapor. Ou a garota que estava ao meu lado e, na hora em que todos acompanhavam as músicas com palmas, a menina se mostrou uma completa inimiga do ritmo, batia entre as palmas de 99,99999999% do público (tive de me segurar muito para não rir. Acho que atraio esse tipo de gente).

Falando em rir, por incrível que pareça, me comportei como uma lady. Não ri fora de hora em momento algum (a peça não permitia acessos). Consegui heroicamente resistir até mesmo quando notei uma certa ironia. Mostraram o problema do Renato Russo com o álcool (segundo a peça, ele era fã do etilismo. Leia bem, digitei etilismo e não elitismo). E, lá pelas tantas, apresentam o (des)amor da vida dele sob a alcunha (não sei se o nome era real) de Scotch. Quer coisa mais irônica (com um toque de humor negro) um alcoólatra amar um sujeito com nome de bebida, drinque ou sei lá o que??? (Não sou adepta da birita, por isso não sei se se refere a bebida ou drinque.)

Teve uma parte não muito cômica nisso tudo... uma “iluminadinha” de uns 2,00m de altura achou de sentar bem na minha frente (tá bem, os lugares eram marcados... mas puxa!!! Acho que também atraio esse tipo de gente). Passei a peça inteira me contorcendo para poder enxergar o ator!!! Falando sério, acho um absurdo não terem aquelas almofadas para “adultos-miniatura” em cinemas, teatros e em qualquer outro local em que possa haver um gigante em nossa frente. Se bem que com meus 1,56m, qualquer um com mais de 1,70 pode ser considerado um gigante.

Mudando de assunto...

Outra coisa que dou uma tremeeeeeeeeeeeeeeeeenda sorte é com vizinhos. Tive um que ouvia reaggae. Meu atual vizinho só escuta sertanejo!!! O que ambos têm em comum??? Só têm um CD!!! Para meu ex-vizinho, dei um CD do Renato Russo (tá, podem rir da coincidência). Mas meu atual vizinho consegue a proeza de, além de ter um único CD, escutar somente uma música!!! Ah, faço questão absoluta de postá-la aqui, caro leitor, para que você também sofra comigo. Encare isso como um pedaço do bilhete para o paraíso (“no pain, no gain”):

“Quando eu digo que deixei de te amar
É porque eu te amo
Quando eu digo que não quero mais você
É porque eu te quero
Eu tenho medo de te dar meu coração
E confessar que eu estou em tuas mãos
Mas não posso imaginar o que vai ser de mim
Se eu te perder um dia
Eu me afasto e me defendo de você
Mas depois me entrego
Faço tipo, falo coisas que eu não sou
Mas depois eu nego
Mas a verdade é que sou louco por você
E tenho medo de pensar em te perder
Eu preciso aceitar que não dá mais
Pra separar as nossas vidas

E nessa loucura de dizer que não te quero
Vou negando as aparências,
Disfarçando as evidências
Mas pra que viver fingindo
Se eu não posso enganar meu coração
Eu sei que te amo.
Chega de mentiras,
De negar o meu desejo
Eu te quero mais que tudo,
eu preciso do seu beijo
Eu entrego a minha vida
Pra você fazer o que quiser de mim
Só quero ouvir você dizer que sim
Diz que é verdade que tem saudade
Que ainda você pensa muito em mim
Diz que é verdade que tem saudade
Que ainda você quer viver pra mim”

A letra até que dá pro gasto, chega a ser boazinha. Mas em se tratando de música sertaneja, até poema de Camões perde o encanto. E olhem a história da música: um sujeito ama determinada pessoa (em tempos modernos, é melhor não especificar o sexo do ser amado), mas luta contra isso o tempo todo. Até que, lá pelas tantas, ele resolve admitir. O problema é que eu tenho a sensação que essa admissão só ocorre quando ele está sozinho e de luz apagada que era pra ninguém saber (aí, o “guerreiro” resolveu nos contemplar com essa pérola de música!!! Seria muito melhor que ele tivesse assumido e se declarado para a outra pessoa. Meus ouvidos iriam agradecer com júbilo!!!). Hum... acho que vou bater um papinho com meu vizinho e ver se ele está passando por situação semelhante... vai que ele resolve dar uma de compositor e escrever outra "pérola".

Obrigada por sofrerem comigo!!!

19 janeiro 2007

Para me lembrar em 2007:

"Baby, baby,
Não vale a pena esperar
Oh, não!!!
Tire isso da cabeça
Ponha o resto no lugar"
(Ovelha negra)

02 janeiro 2007

Ói nóis aqui traveiz!!!

Antes de mais nada: post longo, meus caros.

E o ano mal começou e eu já pratiquei minha primeira gafe!!!

Gafe é algo a ser praticado, estudado... requer anos de muito "ops, I did it again" (não, não sou Britney Spears!!!) pra se chegar a um patamar de "gafear" e sair por cima!!! Um exemplozinho que sempre gosto de destacar: certa feita, consegui a proeza de derrubar um copo com água, em cima da minha chefe, em plena reunião de trabalho; para não sair tão mal (se é que isso era possível), disparei "calma, dizem que dá sorte alguém de fora quebrar um copo em nossa casa". Bem, além de molhada, ela certamente deve ter pensado "putz, que ser eu resolvi contratar!!!". A boa nova é que ainda trabalhamos um bom tempo juntas depois dessa (e eu nunca mais derrubei outro copo em cima dela).

Mas a gafe que inaugurou 2007 foi, pra variar, com meu tio (o mesmo da gafe do ano atrasado sobre a tatuagem). Esse meu tio é católico-apostólico-romano-pra-lá-de-praticante. Enfim, o ano novo foi na casa dele e, como de costume, retornamos para o almoço. Mas eis que, minha mãe tem a brilhante idéia de ir à missa (na mesma paróquia freqüentada por meu tio). Chegando na igreja, só encontramos minhas primas (meu tio tinha ido à missa mais cedo).

Apesar de ser espírita (acho que meu tio ainda não se deu conta disso), gosto, quando vou a missas, da homilia (o famoso "sermão" que vem após a leitura do Evangelho). E realmente estava empolgada para ver o que o padre iria explanar nessa ocasião. Ah... que decepção!!! Como sabemos, dia 1º de janeiro é o dia dedicado à paz. Pois bem, eu não sei como, mas o padre conseguiu a proeza de falar sobre dogmas (com direito à explicação do significado), Maria e descambar para a política!!! Sim, caros leitores, p-o-l-í-t-i-c-a!!! E, mais uma vez, a crise nos aeroportos encontrou sua morada. Não bastasse isso, soubemos que a estrada que liga Brasília a Cuiabá tem mais buracos que estrada (se alguém na missa estava pensando em passar uns dias em Cuiabá, deve ter mudado de idéia). Lembro-me de ficar pensando "como foi mesmo que ele chegou até aí??? O que tem a ver Maria, dogmas com aeroporto, estrada???". Não sei de onde ele tirou, mas sei que conseguiu unir paz com política ao dizer que a tal crise e a buraqueira eram um sinal de desrespeito, desrespeito este que impedia o alcance da paz. Um sermão bastante propício para um dia dedicado à paz (sem esquecer, é claro, que foi uma injeção de ânimo para todos os fiéis que sonhavam em passar as férias em outra cidade, principalmente Cuiabá).

Acabada a missa, fomos à casa de meu tio. Falando sobre a missa, minha mãe resolveu contar sobre o lado político do padre. E eu lá, só ouvindo. Lá pelas tantas, resolvo abrir minha enorme boca e soltar a pérola "nossa, a oratória daquele padre é muito ruim"... pequeno detalhe, meu tio e a esposa dele gostam (e muito) das pregações do pároco (soube disso assim que fechei minha imensa boquinha). Meu tio, em defesa do sermonista, "ah, Andrea, mas o português dele pode não ser tão bom, mas o que ele fala todo mundo entende". Pensam que eu me dei conta e calei minha boquinha??? Não!!! A gafe inaugural do ano tem de ser simplesmente gafosésima!!! Respondi "não, tio, não é o português (que realmente é muito ruim - ui!), é que ele é muito superficial!!! Não aprofundou em nada!!!". A essa altura do campeonato, até minha mãe já tinha se dado conta de que era para eu calar a minha boca!!! (e eu ainda não). Diz ela "ah, Andrea, mas não dá pra se aprofundar muito porque a missa só dura uma hora" (creia, minha boa gente, aquele sermão parece ter durado um dia inteiro). Como meus neurônios ainda estavam anestesiados pela alegria extenuante de 2006 ter ficado para trás, ainda não tinha me dado conta da sutileza do "shhhhhhhhh!!!": "mãe, dá pra aprofundar qualquer conversa em 10 minutos!!!". Pelos olhares recebidos e aquele "confortável" silêncio que os segue, achei de tentar contornar a situação (eu e minhas emendas), e atalhei "é, vai ver ele não estava num dia muito feliz então".

Só aí meus neurônios voltaram a si e me mandaram a seguinte mensagem "ops, I did it again!"

Agora, falando sério, o sujeito dispõe de 10 minutos (ou mais) e não consegue aprofundar um assunto??? Passa superficialmente, caindo na vala comum (pelo menos eu acho), não trazendo nenhuma novidade??? Cadê a criatividade??? Onde está a presença de espírito para sair da mesmice e dar um novo ângulo para a questão??? Ele perdeu a chance de fazer as pessoas pensarem de outra maneira!!! Tá, eu tô reclamando do padre, mas parece que essa postura dele se espalha!!! É muito (muito MESMO) difícil achar alguém para conversar sobre assuntos vários, ou mesmo sobre tópicos comuns, mas que a posição, a opinião do interlocutor te surpreenda, faça você parar e ver "ei, eu não vi a coisa por esse lado!!!".

90% (sendo otimista, ok?) das pessoas se contentam com a superficialidade (e o pior é que se contentam com uma superficialidade em absolutamente tudo!!!). São gentes que têm amizades superficiais, relacionamentos superficiais, idéias superficiais... e o pior, contentam-se com isso!!!

O parágrafo acima acaba de me fazer pagar a língua. Dia desses disse a um amigo "você é um eterno insatisfeito". Ele concordou de bom grado. Bem, pelo que disse acima, sou uma eterna insatisfeita porque não quero a aparência, não quero a superfície, quero ir além, quero a profundidade de tudo aquilo a que eu me proponha a fazer, com todos os ônus e bônus decorrentes disso. O problema é que tá difícil achar alguém que compartilhe disso. Como diria Machado "ao vencedor, as batatas" (e eu quero o purê!!). Se a vida é curta, por que querer o pouco???

Alguém pode dizer "mas é uma ambição desmedida!!!". É uma ambição sim, concordo. A vantagem é que é uma ambição que, em vez de prejudicar alguém, pode fazer dois ou mais crescerem, melhorarem (dependendo é claro do interlocutor e, óbvio, de si mesmo). Desmedida??? Pode até ser, pois as pessoas não estão nem um pouco dispostas a irem a fundo em absolutamente nada. Chegam em determinado ponto e acham que por aí já está bom. Armam-se de todas as maneiras para não sofrerem (não condeno ninguém por isso. Há ocasiões em que eu também me armo. É raríssimo alguém conseguir me desarmar.). Mas pára pra pensar, os amores memoráveis, os trabalhos inesquecíveis, as amizades fecundas, TODOS ficaram para a história (seja a sua ou da humanidade) justamente porque foram aprofundados, encontraram as portas abertas ou abriram-nas!!! Fechamos permanentemente nossas portas e achamos que somos os vencedores!!! Tsc, tsc, tsc... fazemos tal qual o padre: perdemos a grande chance de pensar diferente, de ver diferente, de viver diferente e de permitir que o interlocutor possa se diferenciar entre os 6 bilhões que habitam este mundo... e permanecemos com a superficialidade (com ares de campeões, é verdade, mas ainda superficiais).

Não estou dizendo que o mergulho será em águas mansas e pacíficas. Pode até ser. A verdade é que a primeira alga que nos atinge, a primeira água-viva que nos queima, nos fazem voltar para a segurança da superfície. E lá no fundo (aquele que você deixou de ir) tem uma relíquia te esperando, uma paisagem fantástica ou até mesmo Netuno!!!

Se há mares que não se permitem navegar??? Claro que há!!! Sem essa permissão eles deixam de ter o convívio não só dos mergulhadores, mas de outras criaturas interessantes que habitam os mares menos revoltados. A esses, a superficialidade!!!

E antes que este post se transforme num aquário (ou num oceano), termino por aqui.

Até mais!!!

Ps.: Tá vendo como dá pra se aprofundar nem que seja um pouquinho??? Sem perder o fio da meada, este post saiu da gafe e chegou a uma idéia sobre o comportamento humano diante do famoso "contentar-se com pouco". Enfim, provei minha tese de que se pode aprofundar num assunto em 10 minutos.