30 dezembro 2008

A importância da segunda chance...

Venho tentando escrever este texto desde o início de dezembro, mas ainda não cheguei a uma conclusão de como ele deveria sair, o que exatamente ele deve dizer... enfim, será um texto totalmente experimental.

De início, convém distinguir a "chance". Quando damos uma, duas, mil, milhões de chances a uma pessoa, sem que ela nos peça, eu creio se tratar de uma "meia-chance". Por quê? Ora, a pessoa não pediu por nenhuma delas, não teve a reflexão necessária acerca daquela oportunidade que lhe foi dada. Óbvio que ela compreendeu se tratar de uma benevolência sua, mas não reviu as próprias atitudes. Diferente daquela pessoa que pede uma nova chance. Para mim, essa é a verdadeira "segunda chance".

O problema é que damos gratuitamente tantas chances a uma pessoa que, quando ela realmente quer uma, achamos que não devemos dar, pois se ela já falhou uma infinidade de vezes, certamente falhará de novo!!! E é exatamente aí que nós falhamos!!! Falhamos em não dar à pessoa a oportunidade que ela pede, justamente por termos concedido milhões de outras chances não solicitadas...

Claro que já pedi muitas "segundas chances", mas nem sempre as tive. Uma dessas segundas chances que me foi negada me fez avaliar o quanto o orgulho pode ser pernicioso. Eu realmente estava determinada a mudar por completo minha postura, e de fato mudei. Mudei por mim, por achar que deveria melhorar, que deveria crescer, que deveria ir em frente. Apesar de não me ter sido concedida a desejada chance, não deixei de evoluir, minha determinação independia da chance.

E aqui que está o cerne, a vontade real de seguir de outro modo ou por outro caminho... quando alguém lhe pede uma outra oportunidade, a semente da mudança está plantada e germinará, mesmo que você diga "não, não vou lhe dar outra chance". Ao passo que, quando a oportunidade é dada, sem que seja requerida, pode haver a vontade de mudar, mas também pode não existir esse desejo.

Ao dizermos "não, não vou lhe dar outra chance", normalmente estamos querendo mostrar o quanto a pessoa nos magoou, o quanto ela nos decepcionou, etc. Ué, mas que bobagem, ela já sabe disso!!! Tanto que nos pede outra oportunidade!!! Além das entrelinhas, também queremos nos sentir por cima, fechando as portas, deixando a outra pessoa com o gosto ruim do "não, você não merece que eu lhe dê outra chance" (como se tivéssemos pedido as anteriores). Tudo isso achando que aquele indivíduo irá nos magoar novamente. Não digo que isso não ocorrerá, mas as chances serão muito pequenas. Afinal, para alguém deixar todo o orgulho de lado e rogar por mais uma oportunidade é um claro sinal de que essa pessoa fará de tudo para mudar seu conceito sobre ela.

Quando fechamos a porta para quem nos pede uma segunda chance, fechamos também a porta para nós e corremos o sério risco de, mais adiante, nos questionarmos "e se eu tivesse dado a chance que me foi solicitada?". Vemos que a pessoa seguiu seu rumo, que ela realmente mudou, que está tentando errar menos, etc... Será que se você tivesse dado aquela chance, ela teria realmente lhe magoado ou decepcionado, ou será que ela teria feito de tudo para lhe tornar o ser mais feliz de que se tem notícia??? Isso é uma coisa que, muito provavelmente, você nunca mais saberá... Ou seja, você também fechou a porta para você...

Ah, e por que eu tô falando tanto de segunda chance??? Por alguns poucos motivos:
1 - também já me disseram "não" quando pedi a minha segunda chance;
2 - eu pude, neste final de ano, dar uma segunda chance em duas oportunidades e estou curtindo muito ter feito isso, estou realmente em paz, durmo tranqüila (vou sentir falta do trema), e me dá a maior felicidade ver essas duas pessoas fazendo de tudo para errarem menos, bem menos; e
3 - às vezes, nós temos de nos dar uma segunda chance.

E aproveitando que 2009 tá chegando, eu desejo a todos que sempre tenham suas "segundas chances" e que também sejam hábeis em ceder "segundas chances".

Felicidade, saúde e paz!!!

19 dezembro 2008

A Física e a Metafísica do vazio...

Um(a) "brilhante" artista resolveu, na Bienal deste ano, que deixar um andar inteiro vazio seria uma forma de arte. Se bem me lembro das minhas aulinhas de Educação Artística, e algumas de Teoria Literária (acreditem, literatura também é arte!!! Só frisando, eu escrevi L-I-T-E-R-A-T-U-R-A), a arte serve para o deleite de seus apreciadores ou para seu oposto: chocar, fazer questionar, causar estranhamento... Sinceramente, tudo o que um andar vazio, independentemente do contexto em que esteja, não me causa é deleite, menos ainda estranhamento, as únicas coisas que me vêem à cabeça é "os pedreiros devem estar de folga" ou "faltou verba para terminar a obra".

Falando sério, acho que pendurar uma plaquinha dizendo "não tive tempo ou inspira$$ão para criar nada" seria mais artístico que o ar. Se bem que em se tratando de São Paulo, se o ar contido no andar fosse puro, não seria exatamente uma arte, mas um milagre!!!

E por falar em ar, recordo-me também das minhas aulinhas de Física, quando o professor mostrava um copo aparentemente vazio e perguntava "há algo dentro do copo?", e a turma respondia em coro "nããããããããããoooo". Aí, ele nos olhava com aquela expressão de piedade e nos tirava de nossa apnéia mental ao nos revelar que havia algo dentro do copo, havia AR!!! Ou seja, o copo NÃO estava vazio!!!

Assim, o andar, por mais que o "artista" desejasse, não estava vazio, ele estava PLENO de AR!!!! (poeira, dejetos, micróbios e outros microorganismos). Se ele realmente desejasse que o vazio causasse impacto nos observadores, deveria ter se candidatado a auxiliar na construção do acelerador de partículas que reproduzirá o Big Bang, pois o vazio absoluto só existe nos buracos negros (e na caixa craniana de algumas pessoas).

Mas eis que alguns "artistas" menos consagrados resolveram dar um toque grafite ao andar cheio de ar. Deu-se a confusão e, de aproximadamente 40 indivíduos, a eficiente polícia só conseguiu capturar um!!! (É por essas e por outras que defendo a tese de se realizarem exames físicos semestrais no âmbito das polícias. Há determinados "profissionais" que me lembrar as rosquinhas de Hommer Simpson... outros me lembram o próprio Hommer Simpson).

A moçoila passou exatos 54 dias na cadeia... preencheu um espaço no cárcere, um lugar que deveria ter sido preenchido por 40!!! O melhor de tudo é que levou diversos vazios absolutos (lembram das caixas cranianas?) a se encherem de alguma coisa... ainda não discerni bem o que é, mas agitou uma discussão infundada sobre "oh, ficou presa", "coitada", "nem Daniel Dantas ficou tanto tempo preso"... Textos foram dedicados à defesa da jovem... E o mais curioso de tudo isso é que a balbúrdia poderia ter sido resolvida com sabão em pó, água e vassoura!!! Coloquem a artista não-consagrada para limpar o que um artista mais consagrado supostamente não teve a capacidade ou a vontade de preencher (ressalvado o ar, claro)...

Se olharmos por essa ótica míope de que qualquer baboseira pode ser arte, o prédio incendiado do INSS aqui em Brasília merece bem mais atenção que a Esplanada dos Ministérios inteira!!! Sim, porque, o edifício está completamente cheio de ar!!!

Quando eu passar pela L2 Sul, acho que vou admirar o prédio do INSS e certamente vou pensar no quão perigoso é carregar constantemente um vazio absoluto (if you know what I mean)...

05 dezembro 2008

Superando medos...

Era para ser um dia comum. Acordar, espreguiçar, escovar os dentes... Assim, saí do meu quarto, para preparar o café da manhã, quando me deparo com uma barata na parede da sala.

Até aí, (quase) tudo normal, tirando o fato de eu ter PAVOR de baratas e de estarmos só eu e ela em casa. Tentei achar o maravilhoso spray de veneno e, para meu desespero, não o vi. Quase em estado de choque, liguei para minha mãe e perguntei:
- Onde está o spray?

(Um adendo: sprays de veneno são uma das criações mais fantásticas da humanidade, pois nos permite matar as "ditas-cujas" a uma distância bem segura)

- Acabou... (silêncio medonho)

Depois de achar que eu tive uma síncope, minha mãe resolve me dar um quê de esperança:

- Se tiver, está lá na janela da área de serviço

Adivinha pra onde fui? E adivinha o que eu não encontrei?

- Mãe, só tem um bom-ar aqui

- Ah, mata com o bom-ar e uma vassoura...

- Mas nem a pau!!! Vou deixá-la aqui pra senhora matar.

Matutando com meus botões, imaginei que a barata não ia esperar o final do expediente (afinal, eram 8h da manhã), e eu não iria dormir, imaginando que ela iria se alojar no meu quarto.

Enchi-me de coragem, muni-me do bom-ar e da vassoura.

Nesse ínterim, a barata continuava lá, achando-se o Picasso da parede...

Fui me aproximando, beeeeeeeeeeeeeeeem devagar... lancei um jato de bom-ar, ela bateu as asas (ecaaaaaaaaaaaaaaaaa, ela ainda era das voadoras!!!), mas não voou por estar com as asas encharcadas (e deviam estar cheirosas também). Em vez de facilitar as coisas, a "dita-cuja" resolveu se refugiar debaixo do sofá. E lá vou eu arrastar o sofá. Ela corre para debaixo do móvel da TV. Aí eu fiquei de saco cheio. Passei a vassoura por baixo do móvel e, enfim, ela se posicionou perto do rodapé, em local visível (e matável). Não titubeei, "taquei" a vassoura nela.

Orgulhosa do feito, liguei para minha mãe, vangloriando-me "matei, matei"... tá, confesso que ela deu risada do outro lado da linha, mas ainda teve tempo de me dizer que eu deveria pegar papel higiênico, recolher a "ecaaaaaaaaaaaaaa", jogar no vaso e dar descarga. Bom, como achei o papel higiênico muito frágil, peguei algumas folhinhas de papel toalha e dei fim a minha missão!!!

Se você achou esse post banal e está pensando "ô raio de mulher fresca", é porque você definitivamente não faz idéia do meu pavor de baratas... mas agora, isso e algumas outras coisas prometem mudar... aliás, muita coisa já mudou, mas isso é assunto para um outro post...

Presentinho...

Aos meus amigos...

Este ano está sendo um tanto diferente dos anos anteriores, pois vi diversos amigos em situações em que pude auxiliá-los. A oportunidade que cada um me deu de poder estar ao lado deles nas circunstâncias mais difíceis, foi, para mim, mais uma relevante experiência de vida, e uma das melhores: mostrar minha amizade, poder compartilhar minha atenção, meu carinho, meu cuidado, fazer com que todos eles soubessem que eu realmente me importo e o tanto que são importantes para mim.

Além de agradecer tão precioso presente, quero dizer meu "muito obrigada" a todos os amigos que também me estenderam a mão em horas complicadas, que me disseram coisas maravilhosas e deixaram um toque, uma palavra, emprestaram-me seu ombros e me mostraram o quanto são valiosos.

A esses amigos, divinos amigos, meu presente:

I'll Be There For You
The Rembrandts

Música - Tema de Friends

So no one told you life was gonna be this way
Your job's a joke, you're broke, your love life's D.O.A.
It's like you're always stuck in second gear
When it hasn't been your day, your week, your month, or even your year,

but I'll be there for you (When the rain starts to pour)
I'll be there for you (Like I've been there before)
I'll be there for you ('Cause you're there for me too)

You're still in bed at ten and work began at eight
You've burned your breakfast so far, things are going great
Your mother warned you there'd be days like these
But she didn't tell you when the world has brought you down to your knees

I'll be there for you (When the rain starts to pour)
I'll be there for you (Like I've been there before)
I'll be there for you ('Cause you're there for me too)

No one could ever know me, no one could ever see me
Seems you're the only one who knows what it's like to be me
Someone to face the day with, make it through all the rest with
Someone I'll always laugh with
Even at my worst, I'm best with you
Yeah!