18 setembro 2005

Homem é tudo igual... mulher também!!!

Como os que me acompanham sabem, estou cursando a faculdade de Direito na (A, E, I O) UDF. Pois bem, dois fatos me chamaram a atenção nesse maravilhoso estabelecimento de ensino.

O primeiro foi quando dancei no evento comemorativo dos trinta e tantos anos da faculdade. Prevendo a reação dos homens e por ter dançado num local não muito apropriado à dança do ventre, resolvi utilizar um vestido como traje, em vez do tão famoso conjunto "cinturão e sutiã", mas guardava a sincera esperança de, por estar dançando para um grupo de universitários, os comentários seriam mais elaborados que os ordinariamente propalados. Ledo engano... já, de cara, fui obrigada a ouvir um "mas tu é gostosa mesmo". Além do acinte à Lingua Portuguesa, qualquer peão arrotaria algo semelhante. (Ah, detalhe, eu ainda não tinha começado a dançar, apenas havia tirado a capa). Lógico que, com toda a finesse que me é peculiar, resolvi coçar meu cabelo somente com o dedo médio e, curioso, meus dedos indicador e anular formavam, cada um, uma bola!!!

O outro fato foi uma discussão na aula de Filosofia Geral. Ouvi de meus colegas de classe coisas que remetiam a "lugar de mulher é em casa cuidando dos filhos". E, óbvio, expus que lugar de mulher é onde ela deseja estar: se quer trabalhar, trabalhe; se quer estudar, estude; se quer ficar em casa cuidando da prole, que fique. A cada ponto de vista, eu defendia que não é mais assim e não dá mais pra ser assim, mulher tem que pensar, tem que ter e batalhar pelas oportunidades, e, diferente do pensamento de muitas executivas, elas não precisam se masculinizar, não têm de ser extremamente competitivas; têm de estudar, pensar, saber argumentar. Homem que busca mulher submissa (outro ponto que eles defendiam acaloradamente: a mulher tem de ser submissa ao homem) não confia no próprio taco. O curioso não foi a defesa em si (minha, no caso), mas no fato de que eu fui a única a abrir a boca para argumentar!!! O resto da mulherada (metade da sala) ficou calada!!!

Ambos os fatos (aliados a um terceiro que contarei daqui a pouco) fizeram-me chegar à seguinte conclusão: eu assusto as pessoas. Assusto homens e mulheres. Aqueles por não me encaixar no padrão da "mulher-vaca-de-presépio" que eles desejam e a estas por não ser a "mulher-vaca-de-presépio" que elas são. Entretanto, passo longe, muito longe, da revolucionária que idolatra feminista (aliás, detesto feminista) e daquela frustrada que é presidente de multinacional e só falta mijar em pé. Gosto (muito) de ser mulher, mas a mulher que eu sou e não a mulher que esperam que eu seja, gosto do fato de pensar, amo saber expor minhas opiniões, adoro ver que tenho inteligência. Sou diferente, extremamente diferente de muitas mulheres que conheço (aliás, nunca conheci uma que se parecesse comigo!!!).

O terceiro fato foi que, após a aula, os defensores da "mulher-cama-mesa-e-banho" foram conversar comigo no corredor, conversa boba, nada sobre a aula. Eis que ouço de um deles "olha, essa daí não se dobra não, viu?". Dobrar pra que, dobrar pra quem??? Dobrar seria abrir mão do que eu penso ou do que eu sou para me tornar o que outro quer e pensar como ele deseja que eu pense??? Se for isso, realmente não me dobro.

Bom, pelo menos os embates serviram para me mostrar porque as pessoas simplesmente fogem de mim, eu as assusto!!! Sou o bicho-papão das histórias infantis. Meu consolo é saber que meu filho, por ter a mãe que tem, não vai se assustar ou se sentir ameaçado quando encontrar uma mulher que tem cérebro. Se não servir para ser a mulher ideal, pelo menos serei uma excelente mãe: aquela que desmistificou o bicho-papão (vulgo "mulher pensante") para o filho.

Até a próxima!!!

Antes de ler...

Antes de ir às livrarias ou aos sebos (bem, isso se você, caro leitor, for uma traça tal qual a que vos fala) ou de dizer que os paulos coelhos da vida são bons escritores, é bom que sigam o conselho (calma, não é conselho meu, mas do Shopenhauer). Aí vai (matéria divulgada pela revista Istoé):

Profeta da banalização
Schopenhauer ataca a literatice, numa antecipação dos dias de hoje

Eliane Lobato

Parece premonição. Quando o filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) escreveu os três textos que compõem o livro Sobre o ofício do escritor (Martins Fontes, 222 págs., R$ 21,50) – originalmente para a obra de pequenos ensaios intitulada Parerga e paralipomena, lançada em 1851 –, não poderia supor que seus fundamentos seriam tão verdadeiros num futuro distante. O livro é um prognóstico de tragédia na área das letras. Deixemos de lado a parte em que fala dos problemas da língua alemã, pela especificidade que não é de interesse geral, para centrar nas críticas aos escritores, estilos e vícios. Parece que ele adivinhava que o futuro da literatura seria a banalização – basta ver entre os milhares de títulos lançados diariamente quais realmente merecem ser lidos. Feitas as contas, o resultado é pequeno.

Mas a responsabilidade pela proliferação de obras ruins é repartida com o leitor: “Uma grande quantidade de escritores ruins vive somente da tolice do público”, diz. Schopenhauer chama de literatice – termo certamente criado por ele e que significa literatura chata – “cerca de nove décimos de todos os livros”. E diz o motivo: os autores são “cabeças ocas que querem socorrer seus bolsos vazios”. Ele condena quem escreve para alcançar a fama ou, pior, para ganhar dinheiro. Só se deveria escrever por amor ao assunto, ensina. Não viveu o suficiente para conhecer o marketing, mas pediu que a literatura fosse avaliada apenas pelo pensamento original, e não pela capa ou presepada em volta. Bate pesado nas interpretações e compilações. “Só quem tira diretamente da própria cabeça a matéria do que escreve é digno de ser lido”, afirma. Considera que “os que pensam” são exceções e “no mundo inteiro, a regra é a canalha”. Ou seja, os que se apropriam de reflexões alheias e reproduzem idéias como se faz com “moldes de gesso”.

Schopenhauer afirma que não existe nada mais fácil do que escrever difícil, e que este é um recurso que visa ao logro. A exibição de erudição pomposa, estilo prolixo e palavras que ninguém entende é, na verdade, uma forma de o autor reconhecer que não merece ser entendido e que seu pensamento não é significativo. Dizem que a filosofia está na moda no Brasil atualmente e que os filósofos estão sendo procurados em livrarias. Ok, essa onda pode nos redimir da saga que ele critica em seu livro. “Há gente que lê mais sobre o que foi escrito a respeito de Goethe do que por Goethe e estuda com mais diligência a lenda de Fausto do que o próprio Fausto.” É aconselhável ler Schopenhauer por ele próprio.

Ah, falando em má literatura (ou literatice, como diria Shopenhauer), a última defesa que ouvi sobre paulo coelho foi a e que ele seria o responsável por fazer milhões de pessoas se interessarem por livros. Acho isso uma tremenda sacanagem e uma absurda inverdade, pois as Biancas, Sabrinas e Júlias conseguiram esse feito anos antes.

Até a próxima!!!

08 setembro 2005

"E o prêmio vai para..."

E o Prêmio "perdeu-uma-excelente-chance-de-permanecer-calado(a)" vai para a mãezinha fofíssima e queridíssima do inteligentíssimo George Bush. A pacata e verborrágica senhora teve a pachorra de tornar pública a sua dispensável opinião: "os cidadãos de New Orleans estão melhor agora que antes do Katrina". Meu parecer é o seguinte: a burrice na família Bush é genética!!! (quem encontrar explicação melhor, favor informar).

Aproveitando a teclada, venho informar aos meus queridos leitores que a ausência de posts deve-se ao fator CDF da autora. Estou estudando muito, mas muito mesmo. Cheguei ao ponto de considerar ruim uma nota abaixo de 10. Pela evolução do CDFismo, sou séria candidata à terapia. (Leia de novo a palavra TERAPIA. Não há, portanto, a possibilidade de tratamento por eletrochoque. Sorry, fãs.). Todavia, como o tempo médio da sessão terapêutica é de, pelo menos, uma hora na semana, creio que o psicanalista terá de contar com outros pacientes, pois uma hora rende um bom estudo.

Até a próxima (q. provavelmente irá demorar, caso não surjam sandices a la Bush's family)