24 abril 2006

Sem idéias, mas...

Estou com muita vontade de escrever, mas sem a menor idéia sobre o que escrever. Assim, vamos dar um tom de "diário" a este blog.

"Querido diário,

Semana passada foi fogo!!! Graças a duas coisinhas lindas dadas pela UDF, minha maravilhosa faculdade (é, aquela em que as coisas que ainda funcionam direito são a Tesouraria e algumas aulas presenciais).
Primeiro foi a entrega das provas de uma matéria lá. Fui perguntar ao professor qual o critério de avaliação dele, pois tinha gastado três dias num trabalho que valia 4 pontos e acabei tirando 3. Queria realmente saber o que faltou, para que pudesse fazer melhor os próximos trabalhos. Eis o diálogo:
- Professor, o que faltou no meu trabalho? Qual foi o critério que o senhor usou para a correção?
- Olha, não foi você quem escreveu isso aqui não.
- Ué, como o senhor pode saber se fui eu ou não que escrevi o trabalho se o senhor nunca corrigiu um trabalho meu?
- Ah, porque você não fala assim
(É, diário, bem se vê que ele matou as aulas de "tipos e níveis de linguagem". Aliás, do jeito que ele fala, parece ter saído de uma tribo).
- Sim, e qual foi o critério? Porque você pode até não gostar do jeito que eu escrevo (é, ele disse isso, vai ver porque teve de tirar o pó daquele livrinho "Dicionário" para entender o que eu supostamente não escrevi), mas se eu tiver dito tudo o que foi pedido, o senhor não pode me tirar pontos.
- É um critério muito pessoal, muito subjetivo.
- Não, professor, o senhor não tem parâmetros para a correção. Na verdade, o seu critério é muito esotérico. O senhor deveria ter feito Astrologia e não... (vamos guardar a intimidade do rapaz, né?). Se eu fosse o senhor, abriria uma tenda mística na W3 (avenida conhecida aqui em Brasília). A D. Dayane tá rachando de ganhar dinheiro lendo bola de cristal!!!
Saí da sala, fula da vida (óbvio). Não me dei conta de que tínhamos ouvintes. O bom é que não sou mais conhecida por ter tirado nota boa em ....., mas por ter mandado o professor da outra matéria fazer Astrologia.

O outro ponto foi que a UDF inovou no quesito "crime de plágio". Explico, diário, finalmente saiu a pitomba da resposta da faculdade à reclamação que fiz (leitor, ver alguns posts abaixo). Acredita que a desculpa para o plágio foi que a professora "esqueceu" de colocar as aspas e de fazer a devida referência bibliográfica??? Dá vontade de entrar com um recurso pedindo encarecidamente para que eles apontem onde começariam e onde terminariam as aspas, pois suspeito que começariam no primeiro parágrafo da página 1 e iriam até o último parágrafo da página 8, sendo que o texto tem 10 páginas.

Se algum aluno da UDF resolver "importar" monografias da internet, esquecendo (of course) de inserir as aspas e de fazer a referência bibliográfica, e for acusado de plágio, pode me contatar, eu faço questão de passar uma cópia da tal resposta.

Pensei em deixar o Ministério Público e o MEC resolverem sobre essa inovação. Cogitei até mesmo a hipótese de informar à autora do livro (em que pese ser um livro horrível) sobre o ocorrido. Só que comecei a ver que a única interessada nisso sou eu. Então combinaremos assim: a UDF finge que ensinou Direito Romano, eu compro uns livros sobre o assunto e estudo, e os outros alunos (que não estão nem aí pra hora do Brasil) ficam com os conceitos errados (inclusive o de plágio).

Falando em conceitos errados, para a professora esquecida (tô começando a ficar com dó da moça) personalidade e capacidade jurídicas são a mesma coisa!!! Questionei um conceito que ela dava como sendo de capacidade e, na verdade, era de personalidade. Ela se defendeu dizendo que não havia um consenso entre os autores. O curioso é que TODOS os autores relacionados na bibliografia são unânimes em dizer que "nascimento com vida, viabilidade fetal e forma humana", no Direito Romano, são requisitos de personalidade. E a faculdade aceitou!!! Juro!!! Não é brincadeira não!!!

Bem, diário, agora é fazer novena para que eu não pegue a "autora" da apostila como professora para as próximas matérias."

Vou dar uma de alta executiva. Anote aí, Andrea:
1 - escrever textos no estilo "Ivo viu a uva" para o Pai (ops!) Professor F. Afinal, minha filha, essa coisa de linguagem culta, linguagem coloquial só presta para fundir a cuca dos alunos do ensino médio. Tá pensando que só porque fez Letras tem o direito de usar palavras ou expressões difíceis como "para este mister"????
2 - Se algum dia você resolver plagiar o trabalho de alguém, basta dizer que esqueceu de fazer as devidas anotações indicativas de que aquele texto não era seu.
3 - Jogar as normas da ABNT no lixo. Elas não vão te servir de muita coisa.
4 - Veja se enfia na sua cabeça que tentar ajudar a sua faculdade a ser uma faculdade melhor não é de sua alçada.

Ah, mais uma vez: falando em "faculdade melhor", uma aulinha básica de marketing. A UDF teve o desplante de colocar no mural que foi a 3ª melhor colocada no exame da Ordem em Brasília. Claro que colocaram que foi a terceira na PRIMEIRA fase (escreveram "primeira fase" numa fonte bem menor e com um azul desbotado), pois, no geral, ficou em último. Sim, caros leitores, ficou em ÚLTIMO lugar!!! Aí era um tal de alunos orgulhosos espalhando aos quatro ventos que a faculdade onde eles (e eu) estudam só perdeu para a UnB e para o Ceub. É, foi difícil acabar com as ilusões alheias e ter de dizer a verdade: ficamos em último, atrás das faculdades novas e juntinhos com as ruins. É, mas o que esperar de uma instituição em que a consultoria jurídica é formada por especialistas em desculpas esfarrapadas??? (ou vocês acreditam mesmo na historinha do "ih, esqueci... tinha mesmo de pôr aspas e o nome do livro???". Em qualquer lugar mais sério, "demissão" seria uma palavra a ser considerada).

Por que não saio da faculdade??? É como disse lá em cima, os professores das aulas presenciais (tirando o Pai F.) ainda fazem valer a pena. Em dois semestres, tive 10 professores, só um me tirou a vontade de continuar lá (não estou considerando os tutores do (des)ensino virtual ou os "elaboradores" das apostilas desse (des)ensino). Piorando a coisa, saio sem nem olhar para trás.

É isso aí.

Até a próxima!!!

10 abril 2006

Se Glória Khalil pode, por que eu não posso?

Tá bem, tá bem, eu sei que este é o assunto do momento: Suzane Von Richthofen deu uma entrevista ao Fantástico. Até aí, tudo normal (se é que se pode ser considerado normal uma assassina dessas estar fora da cadeia). Se revelar uma atriz de quinta, na pele de “coitadinha de mim, fui ‘maria-vai-com-as-outras e a culpa é do meu ex-namoradinho”, tudo bem também. Agora o que é inaceitável é o idiota do advogado orientar a sua cliente na presença da repórter. Não feliz com essa espantosa burrice, ele a instrui em frente às câmeras e com o microfone devidamente instalado na lapela da fulana (a fulana assassina)!!!

É como eu disse no post abaixo: se as pessoas atentassem para os fatos da vida, não cometeriam tantas asneiras. P. ex. falar demais em presença de repórter já derrubou um Ministro da Fazenda (não, não foi o Palocci, foi o Rubens Ricupero, lembram dele?).

E quando ela tentou comer (ops!) exibir seus bichinhos de estimação??? Tão meigo!!! Ah, vocês viram que fofo a Suzane de camiseta de babadinho, com estampa da Minnie e o cabelo cheio de pirainhas de borboleta? Mas de onde ela tirou aquela franja grotesca??? Será que nas penitenciárias femininas não tem um livro estilo “Guia de Etiqueta para entrevistas de presidiárias”??? Ah não??? Não seja por isso, vou lançar aqui um pedacinho do Guia (isso vai proteger sua aparência de advogados que querem lançar você como o “Tonho da Lua” de saias):

1) Para moçoilas abaixo dos 25 anos ou que aparentam ter abaixo dessa idade: sim, vestir-se como uma donzela dá certo. Estampas florais, cabelos presos no estilo “princesinha da mamãe” (ops, você matou a mamãe? Então estilo “princesinha da titia”. Hum, também matou a titia??? Tá bem, estilo “princesinha da Carlão, da Luanão, ou outra ‘ão’ que lhe tenha sido apresentada na cadeia”). Mas lembre-se: use COMEDIDAMENTE e harmoniosamente esses ingredientes. Não me apareça de pantufa (isso é pra lá de brega), estampas com motivos excessivamente infantis também são o off da moda pós-penitenciária.
Outra coisa altamente in são os vestidinhos leves e saias (minissaia não vai agradar. Se você insistir em usá-las, aquele “quase-matcho” que está te esperando na cela vai se recordar dela). Não use jeans. Tenha sempre em mente que você tem de passar uma imagem de inocente (mesmo que aquele promotorzinho consiga provar o contrário no tribunal do júri).

2) As unhas não precisam lembrar a garra daquela sapata sem-vergonha que te encheu de pancada no presídio, mas também não podem ser decoradinhas com florzinhas, borboletinhas, etczinhas. Tente mantê-las ao menos limpas. Se possível deixe um tiquinho só para você fingir que as está roendo (pelo amor de Santa Carochinha do Pau Oco, é pra FINGIR, não vá achar que a sua unha se assemelha a chocolate suíço, ta???).

3) Maquiagem beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem leve (isso, fofa, deixe o visual “dragqueen de cadeia adentro” para os festivais de beleza penitenciária. Lá sim, você pode parecer uma messalina – já vai estar presa mesmo. Aqui fora você tem de se assemelhar à Judy Garland em “O Mágico de Oz”). Batom vermelho NEM PENSAR!!!! Use aquele rosinha bebê ou um gloss cor de boca.

4) Tenha postura!!! Não é porque você matou metade de sua família que você tem que andar parecendo o corcunda de Notre-Dame. Barriga pra dentro, peito pra fora!!!

5) Modos são muito bem vindos! Seja, ao menos uma vez na vida, a Cinderela ou a Branca de Neve. Deixe para ser a Pol Pot de saias no aconchego do seu lar (ou da sua cela).

6) Por favor!!! Mongolice só vai servir para fazer você passar uma temporada em algum hospital psiquiátrico. Isso não convence mais ninguém. “Tonho da Lua” era um personagem chatíssimo de novela, não combina com você.

7) Tente não exibir seu advogado, principalmente se eles forem três coisinhas feias e velhas que não atraem os olhares de ninguém. Primeiro porque o público já detesta advogado (você também os detestava, antes de precisar de um). Segundo porque eles não vão querer aparecer mais que você e, para isso, não se furtam (opa!) a dizer uma série de asneiras que possam comprometê-la.

And last, but not least!!!

8) Freqüente, darling, as aulas de interpretação que são dadas na cadeia! Creia-me, um dia você precisará delas. Se possível, leve seus “adevogados” para participar (antes que a OAB proponha a cassação do registro deles). Ah, se quiser chorar para as câmeras, um truquezinho infalível: é só lembrar da herança que você perdeu.

Aos “adevogados”: treinem bem, mas muito bem, seus novos bichinhos de estimação (é, afinal, defender alguém que tem mais de R$ 1.000.000,00 em herança a receber, dependendo da sentença, é pra tratar melhor que a Lulu da sua mulher). Sua imagem perante a “crasse” dependerá disso.

Até a próxima!!!